Em Curitiba, surpresa e preocupação
Carmem Murara

Marcelo Almeida
O dia seguinteFachada do Banco Mercantil de Descontos (BMD), em Curitiba, que ficou fechado ontem por determinação do Banco Central: não foi registrado tumulto de clientes em frente à agênciaA liquidação do Banco Mercantil de Descontos (BMD) e do Banco Brasileiro de Crédito (BBC) provocou ontem grande preocupação entre os clientes e investidores que aplicavam nas duas agências em Curitiba. Durante todo o dia, os telefones do BMD e BBC estiveram congestionados com ligações de clientes à procura de informações sobre a situação das instituições. Sem ter detalhes da decisão do Banco Central, os gerentes pediram para os clientes retornarem na esgunda-feira.
‘‘Fomos pegos completamente de surpresa e ainda não sabemos como orientar a clientela’’, informou, ontem, o gerente administrativo do BBC, Adélio Mendes. A única agência bancária do BBC funciona na rua Emiliano Perneta, no Centro. A agência tem cerca de 500 clientes, que ficaram ontem sem saber o destino do dinheiro aplicado no banco. O Banco Central vai liberar o dinheiro dos correntistas e poupadores somente até o limite de R$ 20 mil.
Mendes disse que o maior problema ontem foi cancelar o pagamento dos aposentados, que tinham o último dia para receber o benefício. ‘‘Abrimos às 9 horas para atender os aposentados e fechamos às 9h30, deixando muita gente sem receber’’, afirmou o gerente.
Na agência do BMD, que está instalada no andar térreo do prédio do Shopping Itália, a dúvida sobre a liquidação também era grande. Os 33 funcionários permaneceram o dia inteiro na agência dando explicações preliminares aos clientes. ‘‘Não tivemos agitação em frente à agência, porque muitos clientes ainda não sabem da decisão do Banco Central’’, afirmou uma funcionária, que pediu para não ser identificada.
O Sindicato dos Bancários de Curitiba teme que a liquidação dos dois bancos represente desemprego. Juntas, as duas instituições somavam 50 funcionários. ‘‘Na segunda-feira, teremos uma reunião com os bancários destas empresas para definir o que podemos fazer’’, afirmou o presidente da entidade, Pedro Eugênio Leite. Segundo Leite, a liquidação mostra a tendência de concentração do sistema financeiro nas mãos de poucas instituições. ‘‘Bradesco, Caixa Econômica, Banco do Brasil e Itaú concentram 60% do volume de dinheiro que circula nos bancos’’, disse.

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