Em Curitiba, projeto gera oportunidades
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quinta-feira, 03 de março de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O estudante James Samuel de Souza, de 17 anos, é um dos beneficiários do Programa Primeiro Emprego no Paraná. Ele mora na Vila Santa Rita, no Tatuquara, periferia de Curitiba. Como a renda da família não passa de meio salário-mínimo, ele resolveu ajudar e procurar um emprego. Foram alguns meses de espera até que a notícia de uma oportunidade de trabalho apareceu. ''Eu precisava muito. Nunca imaginei que teria jeito para trabalhar com vendas e estou gostando muito'', afirmou James.
O jovem é um dos 16 contratados da Imobiliária Apolar, através do Primeiro Emprego, para buscar imóveis vazios e que poderiam ser locados. Ele tem que percorrer bairros e regiões centrais em busca de um imóvel. Depois, ele entra em contato com o dono do imóvel e tenta convencê-lo a alugar para fins comerciais ou residenciais. ''Já fechei excelentes negócios e tenho percebido que estou no caminho certo. Daqui a pouco acho que terei até uma oportunidade melhor de angariador dentro da empresa. Estou me esforçando para isso'', pontuou.
Dificuldades, apenas uma: trabalhar contra as condições climáticas de Curitiba. ''Quando chove fica muito difícil porque a pessoa não quer muito papo. Ela quer ficar dentro de casa, embaixo das cobertas. É a única dificuldade que enfrento'', disse James, que está no primeiro ano do Ensino Médio. A gestora de locação da imobiliária, Tânia Regina Ferreira Langner, está gostando dos resultados alcançados pelo grupo que está trabalhando através do Programa Primeiro Emprego.
''Muitas vezes as pessoas têm preconceito de empregar um estudante que não tenha experiência e que tenha nível econômico baixo. Mas essas pessoas parece que têm ainda mais vontade de vencer. Os meninos trabalham muito e para nós é gratificante ver o resultado final'', analisou. Muitas vezes os contatos feitos pelos novos contratados surtem resultados meses depois. Nesta semana, por exemplo, foram fechadas cinco angariações de imóveis em que os contatos foram feitos em dezembro. Os contratados recebem R$ 10 de comissão por contrato fechado, além de salário de R$ 250, vale transporte e cartão telefônico.
''O trabalho que eles estão fazendo, os angariadores não faziam. Eles estão fazendo uma varredura, de bairro em bairro. Eles batem de porta em porta e colhem os resultados do esforço''. Os contratados são encaminhados através do Sistema Nacional de Emprego (Sine). Todos têm idades entre 17 e 22 anos e nunca trabalharam com carteira assinada.


