São Paulo - Fabricantes de máquinas e implementos agrícolas reduziram atividades e promovem cortes de pessoal. A Case New Holland (CNH) demitiu este mês 220 trabalhadores da fábrica de Curitiba (PR) e vai conceder 20 dias de férias coletivas a partir de segunda-feira. A Agco dispensou, desde janeiro, 500 funcionários em Santa Rosa (RS), 160 deles na segunda-feira.
CUT e Força Sindical calculam que, em todo o País, foram demitidos 4 mil trabalhadores, quase 10% do quadro da indústria agrícola. As duas centrais anunciam hoje campanha para evitar novos cortes. A primeira atividade, segundo o presidente da Força, Paulo Pereira da Silva, será um dia de paralisação nas fábricas de tratores e colheitadeiras, na próxima semana. Estão previstas ainda discussões com o governo para adotar medidas de socorro ao setor, que no primeiro bimestre registrou queda de 28,5% nas vendas internas. Já as exportações, em unidades, cresceram 19,2%.
''As empresas se beneficiaram desde 1999 de financiamentos com juros generosos subsidiados pelo BNDES. No primeiro sinal de crise, demitem? Vamos discutir ações para defender os empregos'', diz Carlos Alberto Grana, presidente da CNM (confederação dos metalúrgicos) da CUT.
O vice-presidente da Massey Ferguson/Agco, Normélio Ravanello, diz que os cortes ''são necessários para equilibrar perdas em consequência da queda progressiva no mercado agrícola''. Ele cita fatores desfavoráveis como a crise da soja no Centro-Oeste, seca no Rio Grande do Sul, super safra americana e queda do dólar. Para evitar novas baixas, a Agco pode dar férias coletivas e reduzir a jornada de trabalho.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Horizontina (RS), Alcindo Kempfer, afirma que a John Deere já demitiu 560 pessoas desde outubro. A Imasa, fabricante de implementos agrícolas, cortou 112 postos e ontem propôs aos 208 funcionários a suspensão do trabalho às sextas-feiras até maio. Na Jumil, fabricante de implementos em Batatais (SP), foram demitidos 250 funcionários diretos e terceirizados. Hoje o quadro é de 850 pessoas.
Rubens Dias de Morais, presidente da Jumil e dirigente da Abimaq (associação dos fabricantes de máquinas) diz que a entidade enviou ao governo uma lista de pedidos, entre os quais linhas de financiamento mais acessíveis e desoneração de tributos.

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