Em clima de confronto, G-8 abre reunião
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quinta-feira, 19 de julho de 2001
Agência FolhaDe São Paulo 
Cerca de 50 mil pessoas fizeram uma passeata pacífica no centro de Gênova ontem, na véspera do primeiro dia da reunião do Grupo dos 8, que acontece na cidade portuária do norte da Itália. Com faixas, bandeiras, bexigas e música, os manifestantes começaram a passeata pela praça Sarzano, no centro histórico, bem perto da zona vermelha, a área fechada com barricadas de quatro metros de altura em que ocorrerá o encontro de cúpula do G-8.
Milhares de policiais com escudos e capacetes monitoraram o movimento, que seguiu até a praça Martinez, onde foi realizado um comício pelos direitos de imigrantes e refugiados políticos.
A manifestação foi o primeiro grande protesto organizado pelo Fórum Social de Gênova, grupo que coordena as atividades de 700 entidades internacionais na cidade. São debates e ações paralelos ao encontro das sete nações mais ricas do mundo mais a Rússia.
Bandeiras da Argentina, da Colômbia, do Peru e do Afeganistão eram erguidas por imigrantes. Ativistas seguiam dentro de um boneco nos moldes de um dragão chinês, em cujo corpo se lia, em inglês, francês e italiano, a frase Abaixo o lucro e a dominação.
Um carro de som com bandeiras da Itália e de Cuba tocava músicas como o sucesso romântico dos anos 60 (I Dont Know Why I Love You) But I Do. Havia ainda ambientalistas, representantes do movimento gay, anarquistas, sindicalistas e integrantes de partidos políticos de esquerda.
Mas, se o primeiro dia de protestos foi marcado pela tranquilidade, o mesmo não pode ser esperado para hoje, quando deve haver ações diretas. Dezenas de grupos independentes marcharão, em momentos diferentes, em direção à zona vermelha. A maioria dos protestos tende a ser pacífica muitos movimentos apenas se aproximarão das barreiras para gritar palavras de ordem e mostrar faixas e cartazes de protesto.
Deve haver ainda manifestações em forma de teatro de rua, danças e cantos. Grupos cristãos preparam correntes de orações.
Mas há organizações como a Tute Bianchi, que planeja passar pela polícia, cortar as grades e chegar ao Palácio Ducale, onde os líderes do G-8 se reúnem. Ativistas anarquistas também prometem tentar passar as barreiras. O conflito parece iminente, já que 20 mil policiais patrulham as ruas desde ontem. A forma como esse encontro está ocorrendo é surreal. Esta não é a nossa Gênova. É um dano para a imagem da cidade, disse o prefeito Giuseppe Pericu.
Na reunião, o estado da economia mundial será o tema principal da agenda dos líderes de EUA, Japão, França, Canadá, Alemanha, Reino Unido, Itália e Rússia.
Jogo-protestoA CUT, o MST e entidades que integram o Fórum Nacional de Lutas fazem hoje na avenida Paulista, em São Paulo, uma passeata contra a Alca (Área de Livre Comércio das Américas) e a reunião do G-8. Estudantes, ecologistas, grupos anarquistas, punks e ativistas antiglobalização também fazem protesto no mesmo local. No local, haverá uma partida de futebol contra o capital. Os estudantes prometem fazer uma manifestação pacífica, usando uniforme, chuteiras, caneleiras e bolas. Também estão convocando os manifestantes para ocupar a avenida com bicicletas, skates, patins e patinetes.


