Em cidades pequenas, hábito é comum
Em Alvorada do Sul, Carlos Lunardelli, que trabalha no comércio desde 1972, vendendo de alimentos a panelas e vara de pesca, diz que é normal as pessoas pedirem desconto. ''Quando sobe o preço de uma mercadoria o pessoal pede desconto. E os mercados maiores também têm preços melhores, compram em grande quantidade e a gente não tem como competir''. Segundo ele, os fregueses antigos compram a prazo e nesse caso não têm desconto.
Em Bela Vista do Paraíso, Milton Ferracini trabalha há 35 anos em uma loja de tecidos e diz que os fregueses sempre pedem desconto, tanto os mais antigos quanto os mais novos. ''À vista pedem mais, a gente acaba dando''.
Outro que está acostumado com os fregueses pechinchando é Jorge Khouri, também de Bela Vista. Comerciante há 55 anos também no ramo de tecidos, ele lembra que antigamente as pessoas não pechinchavam tanto. ''Nós sempre vendemos a prazo, de uma safra para outra, então as pessoas não negociavam o preço. Hoje pedem mais, estamos próximos de Londrina, as pessoas vêem as propagandas de desconto e também querem'', explica.
Ele comenta que dá o desconto conforme a compra do cliente, se for à vista. Cliente antiga da loja do Jorge, Maria José da Silva Oliveira, afirmou que sempre pede um desconto. Questionada se costuma pechinchar muito, ela frisou que ''todo mundo tem esse negócio, a gente sempre quer o melhor pra gente. No açougue eu fico 'ranhetando' com os meninos, pra ganhar um descontinho.'' Do alto da sua experiência de 82 anos, observou: ''aposentado tem que brigar, com esse salário nosso...''
E os jovens, também pechincham? Segundo os comerciantes ouvidos pela reportagem, a negociação não tem idade. A prova disso é que o site de relacionamentos Orkut tem várias comunidades destinadas à arte da economia e seus integrantes são jovens na maioria. É discutido desde como pechinchar, o porquê da pechincha e, curiosamente, existe até uma comunidade que reúne os que odeiam barganhar e se negam a pedir desconto, além de detestar também presenciar a cena.
Camila Iamasaqui é jovem e mora sozinha. Ela diz que não tem vergonha de pechinchar. ''Eu sempre peço mas nem sempre ganho. Só dá para pedir nas lojas em que a gente é atendido pessoalmente, como lojas de sapato, as grandes lojas de eletro. Em loja de departamento não dá, né?''. E ensina uma das maneiras de se ganhar um desconto para quem não está familiarizado com o assunto: ''eu falo que estou pesquisando o preço e que na outra loja é mais barato, aí o vendedor sempre vê o que pode fazer''.(E.G.)





