Profissionais ligados à computação, tecnologia da informação, entre outras vertentes deste setor bilionário hoje são joias preciosas para empresas do segmento. Jovens com ideias que muitas vezes não estão dentro das universidades, mas com capacidade de impulsionar o mercado de forma inimaginável. E ontem, Londrina foi a "base operacional" desses profissionais, no evento conhecido como Roadsec, que trata de alguns temas arraigados neste setor, como hacking, segurança, criptografia e tecnologias em geral.
Pela primeira vez no interior do País, o Roadsec reuniu 300 pessoas em torno de palestras com especialistas de diferentes áreas, oficinas de montagens de robô, construção de circuitos eletrônicos inteligentes, drones, além de campeonatos específicos para quem atua com invasão de sistemas e busca de falhas em empresas que necessariamente precisam da segurança de suas informações.
Sócio-fundador do evento e CTO da Flipside Smart Content, Anderson Ramos, relata que um dos principais objetivos do evento é aproximar grupos que muitas vezes não estão interligados, como o acadêmico, corporativo, e as comunidades onde essas profissionais da cultura hacker florescem. "Geralmente, esses profissionais se interessam por tecnologia desde muito cedo, e fazem isso independentemente de ter formação em curso superior. Eles são autodidatas porque vivem isso dia a dia, sem pensar nas notas da universidade ou onde vão trabalhar. São essas pessoas diferenciadas, que muitas vezes estão em eventos como o nosso, que as empresas buscam", salientou Ramos.
Atualmente, o Brasil vive um aquecimento desta área, principalmente quando se trata do empreendedorismo de startups. O fundador do evento disse que investidores estão em busca de aplicar capital neste mercado, com muitos players operando fundos deste tipo. Ele citou o exemplo da Spotify, empresa sueca que presta serviço de música via streaming, que faturou ano passado 8 bilhões de euros com apenas 200 funcionários. Só como análise comparativa, tal montante representa 10% do mercado sucroalcooleiro do País. "Esse deslumbre com as startups é fundamental para modernizar a economia brasileira, que está atrasadíssima neste sentido. Os empresários estão aí com o dinheiro na mão para investir, mas quando vão atrás das grandes ideias, não encontram."
Luckas Farias se formou em Ciências da Computação pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) em 2013, e atualmente faz mestrado na Universidade de São Paulo (USP) à respeito de técnicas de construção de hardware para criptografia (segurança), trabalhando com peças e aparelhos para que um computador, por exemplo, tenha desempenho superior do que apenas melhorando os softwares dele. Ele ministrou uma palestra sobre o assunto no evento. "Quando era universitário, foi esse tipo de evento que me fez decidir qual área seguir. Hoje, o cenário está mudando, as empresas conhecem melhor os profissionais do setor, que antes eram jogados num mesmo balaio. Tudo está mais difundido e ainda tem muito para crescer".

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