Para Paulo de Castro, vice-presidente da Financial Services da SAP Brasil, a mudança de comportamento do consumidor vem impulsionando toda a indústria bancária. "Nessa economia colaborativa onde a reputação é a avaliação do próprio usuário, o consumidor tem um novo poder em suas mãos. Tem muito mais informações para consumir serviços bancários. Hoje, quem realmente manda na indústria e no futuro da indústria é o próprio consumidor. A tecnologia habilita que eles tenham esse novo comportamento." Diante deste novo cenário, os bancos, que possuem sistemas legados, também estão trabalhando para modernizá-los e se habilitando para a transformação digital. Assim, estarão aptos a manterem os clientes tradicionais e a conquistarem novos.
Mudanças nos sistemas legados, entretanto, são muito difíceis. "Para mudar um sistema bancário, estamos falando de anos e anos de operações. De sistemas muito consolidados e não flexíveis. Isso é um processo bastante complexo, demorado, custoso, mas tem que ser feito. Muitos bancos têm optado ou por transformar o legado, ou por construir um banco digital em paralelo à operação legada. Muitas vezes, a melhor opção é começar pequeno do zero." Nesse sentido, outra saída é oferecer inovações, produtos e serviços em um "financial marketplace", como acontece com o iTunes, da Apple.
"A tecnologia está se barateando, hoje as fintechs têm acesso a sistemas mais rápidos e menos custosos", comenta ainda o vice-presidente da SAP Brasil. Por outro lado, os bancos têm a vantagem de serem sólidos e oferecerem menor risco aos clientes, continua. "As fintechs já nascem quase 100% tecnológicas, muitas são mais empresas de tecnologia que empresas financeiras, mas nós também temos experiência, temos um modelo, temos clientes. Acreditamos que os dois juntos é uma relação ganha-ganha, e quem ganha no final é o nosso cliente", acrescenta Gustavo Fosse, da Febraban. (M.F.C.)

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