Além do desconhecimento para a arrecadação de recursos, as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) ainda enfrentam um outro obstáculo: a gestão. Em muitos casos as pessoas que estão no comando destas organizações não têm o perfil de gestor o que contribui, e muito, para a alta taxa de mortalidade das entidades. Estimativas indicam que esse índice é semelhante ao fechamento das empresas, medido pelo Sebrae, que é de 70% no primeiro ano de atuação.
''Encontramos algum tipo de irregularidade em, pelo menos, 90% das organizações. Essas falhas não são cometidas propositadamente mas por desconhecimento e esses erros vão desde falhas no estatuto a erros contábeis'', comenta Marcel Antoine Haswany, secretário-executivo do Sistema de Apoio Institucional (Siai). O problema ocorre porque muitas pessoas ainda vêem o aspecto voluntário do segmento e, por isso, não há o engajamento necessário para sua manutenção adequada.
''Temos também organizações bem profissionais, que remuneram bem os seus colaboradores, contam com várias fontes de captação de recursos e desenvolvem projetos consistentes e adequados'', observa Haswany. Segundo ele, foi feito um levantamento que apurou que a remuneração do terceiro setor é superior a da iniciativa privada. A média é de 4,5 salários mínimos para o primeiro contra 4,3 salários mínimos do segundo segmento.
''A criação das Oscips ainda envolvem muito idealismo e elas vêm suprir as deficiências da sociedade que não são cobertas pelo governo ou pela iniciativa privada. O que essas entidades devem ter é poder de mobilização, não precisa patrimônio ou dinheiro'', salienta Haswany. (F.M.)

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