Em avião, repórter acompanha matança
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quarta-feira, 08 de março de 2006
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
São 9 horas. É o 'início do fim' da novela da aftosa no Paraná. O avião fretado pela Folha sobrevoa a Fazenda Pedra Preta, em Maringá, onde 231 animais estão confinados à espera do sacrifício sanitário. De cima, percebe-se o aparato montado pelos técnicos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) e Polícia Militar: três atiradores a postos; caminhões e tratores para transportar as carcaças; e uma vala aberta na terra com quase 100 metros de extensão.
Meia hora depois, os primeiros tiros são disparados num lote de aproximadamente 60 animais - apartados dos demais. As reses caem inertes. As máquinas começam a funcionar e os animais são içados pelo trator até os caminhões. Quando as caçambas ficam cheias, a carga é levada lentamente até a vala, localizada a 2 km de distância. O rebanho é despejado como um carga qualquer e espalhado na terra por um trator equipado com escavadeira. As carcaças recebem cortes de facão para evitar que as vísceras estourem. O ciclo se repete durante todo o dia, até as 18h40. De acordo com técnicos da Seab, o proprietário da Pedra Preta, Francisco Valias Didier, não acompanhou o trabalho.
O reitor e proprietário da Fazenda Escola do Centro de Estudos Superiores de Maringá (Cesumar), Wilson Mattos, vizinha à propriedade, assistiu parte do sacrifício e classificou a cena como ''triste, muito triste''. De acordo com ele, a partir dos primeiros tiros, que miram a parte frontal da cabeça, os outros animais instintivamente se viram e tentam abaixar a cabeça. ''A gente percebe nitidamente o instinto de preservação. A morte é instantânea. Os animais parecem desmontar.'' De acordo com um representante do governo estadual, algumas reses não morrem com um tiro só e recebem novos disparos de misericórdia.
O reitor Wilson Mattos declarou que não pretende assistir à cena novamente hoje, quando serão sacrificados 143 animais de sua propriedade, a Fazenda Cesumar. O rebanho será enterrado na mesma vala utilizada ontem.
Apesar das declarações de autoridades indicando que a operação foi um sucesso, o atraso no transporte dos bois, entre a mangueira e os caminhões de transporte, revelou certo despreparo no planejamento. Como os animais morriam longe da cerca, houve necessidade de se arrastar as carcaças uma a uma. Com isso, foi frustrada a previsão de sacrifício do rebanho da Fazenda Cesumar ainda ontem e colocou-se em xeque o cronograma de ações nas outras cinco fazendas consideradas focos de aftosa.


