Brasília - O Banco Central sinalizou ontem que deve continuar com o ritmo de alta dos juros. Por meio da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), afirmou que é "apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso".
"O Copom pondera que a elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos doze meses contribui para que a inflação ainda mostre resistência", trouxe a ata. Ao mesmo tempo, o BC reduziu suas projeções de inflação para este ano e o próximo, apesar de ainda continuarem acima da meta do governo, de 4,5%, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos.
Para combater a inflação, o Copom elevou a Selic em 0,5 ponto percentual - pela quarta vez seguida - para 9,5% na semana passada, quando já indicou que manteria o passo. Isso porque repetiu o comunicado utilizado nas três reuniões anteriores para justificar sua decisão.
Diante dos sinais do BC, o mercado passou a considerar a possibilidade de um retorno da taxa básica de juros para dois dígitos (10%) e de um ciclo de aperto monetário mais prolongado. A Selic está abaixo dos dígitos desde janeiro de 2012.
"O sinal é de que pretendem manter o ritmo de elevação da taxa, ou seja, mais 0,50 ponto percentual na próxima reunião", afirmou o economista-chefe para América Latina ING, Gustavo Rangel. Na ata, o BC reduziu suas projeções sobre a inflação em 2013 e em 2014 no cenário de referência, mas permanecendo acima da meta.
Apesar dos recentes sinais de arrefecimento, a inflação no Brasil ainda flerta com o teto da meta do governo. No acumulado em 12 meses até setembro, o IPCA, referência para as metas do governo, fechou em 5,86%, com tendência de leve aceleração.
Para o ano, os especialistas esperam uma inflação acumulada de 5,81%.

Gasolina
Conforme o BC, a projeção de reajuste no preço da gasolina para o acumulado de 2013 foi mantida em 5%. A estimativa da autoridade monetária aponta também para um recuo de aproximadamente 16% na tarifa residencial de eletricidade, mesmo valor considerado na reunião do Copom de agosto. Essa estimativa, conforme o documento, leva em conta os impactos diretos das reduções de encargos setoriais anunciadas e os reajustes e as revisões tarifárias programados para este ano.

Imagem ilustrativa da imagem Em ata, BC indica que taxa continuará subindo
mockup