A manifestação nacional, chamada de ‘‘Grito do Ipiranga’’, conseguiu mobilizar agricultores de praticamente todos os municípios do Paraná. Os manifestantes chegaram até a fechar a praça de pedágio de Arapongas (37 km a oeste de Londrina) e por pouco mais de uma hora os carros de passeio não precisaram pagar a tarifa. A América Latina Logística (ALL) também interrompeu o trânsito de trens das 8 às 20 horas. As rodovias só foram liberadas no início da noite, mas a manifestação poderá ser retomada hoje de manhã.
  Durante o dia, só tiveram passagem livre pelas estradas ambulâncias, viaturas policiais, imprensa e carros de passeio (em alguns pontos). As cidades pequenas tiveram um dia útil com cara de feriado: as agências bancárias e o comércio permaneceram fechados. Todas as unidades das cooperativas também ficaram fechadas ontem em apoio aos produtores. No início da noite de ontem, os manifestantes se reuniriam novamente para avaliar a continuidade do movimento. A ferrovia deveria continuar bloqueada.
  Durante a manifestação, os agricultores distribuíram panfletos com um ‘‘alerta à população’’ em que explicam os problemas enfrentados pela atividade: quebra da produção por falta de chuvas, câmbio desvalorizado, custo de produção (insumos, combustíveis, pedágio e transportes), juros altos, falta de definição na política governamental para a agropecuária e indenificação na política de reforma agrária.
  Uma das maiores concentrações do Estado ocorreu em Arapongas, que concentrou agricultores de vários municípios. Eles permaneceram nos dois lados da praça de pedágio e barraram todos os caminhões que transportavam combustíveis e cargas derivadas do agronegócio. Só foram liberadas cargas vivas e de produtos perecíveis. Pela manhã, houve uma carreata pelas ruas centrais do município. Durante o cortejo, de mais de um quilômetro, o comércio chegou a baixar as portas em sinal de apoio. Também foram distribuídos 200 litros de leite em uma das avenidas principais da cidade.
  ‘‘O produtor aderiu ao movimento, até porque a carga não poderia ser transportada, e resolveu distribuir o leite à população. Se o protesto continuar amanhã (hoje) ele vai continuar doando’’, disse Edson Fantin, produtor rural. A funcionária pública Vera Lúcia Pereira de Oliveira, que recebeu dois litros de leite, acredita que o movimento é uma maneira de conscientizar a população sobre os problemas enfrentados pelos produtores rurais. ‘‘São os agricultures quem produzem todos os nossos alimentos e a população não sabe quanto eles recebem por isso’’, comentou.
  Em seguida, os manifestantes seguiram para a praça de pedágio. Do outro lado da praça (no sentido Londrina-Arapongas) estavam agricultores de outros municípios, que já haviam fechado o pedágio e liberado o trânsito. Neste momento, a praça foi fechada nos dois sentidos e a assessoria de imprensa da Viapar, concessionária responsável pelo trecho, chegou a anunciar que iria ingressar com um pedido de reintegração de posse. No entanto, a ação não foi necessária porque os manifestantes entraram em acordo com diretores da concessionária e liberaram a praça.
  ‘‘Não queremos prejudicar ou atrapalhar ninguém, não temos o direito de trancar ninguém. O nosso movimento é pacífico’’, disse o produtor rural José Mendonça. Por volta das 14 horas, os produtores que estavam no sentido Londrina-Arapongas decidiram deixar o local para se concentrar em frente ao entreposto da Corol. Os agricultores que estavam do outro lado da praça de pedágio também afastaram e se concentraram em frente à unidade da Cooperativa Integrada (a 1 km da praça). O motivo era liberar o retorno para os caminhões. Somente neste momento é que todas as cancelas foram liberadas, mas somente para carros de passeio.
  Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Viapar informou que a empresa só iria calcular os prejuízos a partir de hoje porque os caixas do dia só seriam fechados à meia-noite. Segundo a assessoria, diariamente passam cerca de 15 mil veículos pelo local. Em Arapongas é registrado o maior fluxo de veículos das seis praças sob concessão da Viapar. A reportagem também entrou em contato com a assessoria de imprensa da ALL, mas não teve retorno até o fechamento desta edição.

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