O volume de dólares que
deixam o País continua aumentando, apesar do anúncio de novas medidas que elevam o rendimento das aplicações de estrangeiros. Ontem, até as 19h30,
deixaram o País mais US$ 1,463 bilhão, elevando o total acumulado no mês para US$ 9,904 bilhões, segundo números do Banco Central e informações do mercado.
O impacto dessa saída será amenizado sobre o volume de reservas internacionais porque, nos dias 30 e 31 de julho, ingressaram no País US$ 5,495 bilhões, recursos direcionados principalmente para o leilão do Sistema Telebrás. Apesar de terem entrado no País no final de julho, os recursos estão sendo contabilizados em agosto. Graças a esse ingresso, a perda de reservas até agora é de aproximadamente US$ 4,409 bilhões. Em outubro do ano passado, no auge da crise asiática, a perda de reservas foi de US$ 8,309 bilhões, o que fez o governo dobrar as taxas de juros para evitar a fuga de capital estrangeiro.
Até o momento, o nível de reservas está em US$ 65,801 bilhões - não estão incluídas nessa estimativa as operações diretas do BC com o exterior (remessas de juros, pagamento de títulos da dívida externa etc). Em julho, as reservas ficaram em US$ 70,210 bilhões no conceito de liquidez (disponibilidade imediata mais compromissos de médio e longo prazos).
Até as 19h30 de ontem, deixaram o País cerca de US$ 913 milhões pelo câmbio comercial (taxa livre) e aproximadamente US$ 550 milhões pelo câmbio flutuante. No mês, pelo segmento de taxas livres, a saída já chega a cerca de US$ 7,198 bilhões. É nesse segmento que são negociados os dólares para comércio exterior (exportação e importação) e operações financeiras (investimentos diretos, ações e fundos).
O segmento flutuante registrava até ontem uma saída no mês de agosto em torno de US$ 2,706 bilhões. No flutuante são feitas as operações para o setor de turismo e CC-5 (contas de não-residentes no país). Os dólares estão saindo de aplicações em renda fixa para cobrir prejuízos em outros países ou buscar segurança, apostando em títulos do Tesouro norte-americano.
O setor privado brasileiro - empresas e bancos - não está conseguindo renovar as captações feitas no exterior. As operações estão sendo quitadas, apesar das medidas tomadas pelo governo. Os investidores estrangeiros estão exigindo juros mais altos para comprar papéis brasileiros, devido à insegurança. Também em agosto venceram US$ 2,5 bilhões de captações feitas no exterior pela chamada ‘‘63 caipira’’ (setor rural), mas que podem ser aplicadas em títulos com variação cambial.
Os bancos lucram tomando dinheiro com taxas mais baixas no exterior e aplicando no mercado financeiro. A vantagem vem da diferença entre os juros. Alguns investidores também optaram por comprar papéis da dívida externa fora do País, onde a rentabilidade era maior do que a remuneração dos títulos com variação cambial colocados no mercado interno pelo governo.
Porém, essa tendência só vai se acentuar se não houver uma recuperação do preço desses papéis, que caíram bem ontem. O mercado está apostando na alta dos juros internos, mas isso poderia comprometer a reeleição do presidente Fernando Henrique. O governo estuda a isenção do IOF de 2% na entrada de investimento por prazo até um ano, mas ainda não adotou a medida.

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