Em 1996 a economia agropecuária funcionou no rescaldo do desastre da comercialização da safra agrícola de 1995, quando o país obteve uma colheita recorde de 80 milhões de toneladas de grãos e um prejuízo de 25% da renda agrícola. Os produtores entraram no ano novo descapitalizados, reduzindo em 10% a área plantada com a safra de verão.
É o que diz nota da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), distribuída ontem através da assessoria de comunicação, numa ‘‘retrospectiva’’ sobre a agricultura. Segundo a Faep, a desorganização provocada pela política da ‘‘âncora verde’’ , de baixos preços para os produtos agrícolas, concorreu para deprimir mais ainda a renda da agropecuária, aprofundando a crise e funcionando como um freio a evolução do setor. Um erro na implantação do Plano Real permitiu uma supervalorização cambial estimada em 20%, e essa defasagem cambial agiu como um redutor de preços internos, tornando mais baratos os importados, em detrimento da produção brasileira.
O quadro já por sí só preocupante teve agravantes. Os importados continuaram chegando ao Brasil com subsídios na origem, a juros de 6% ao ano, mais variação cambial, além de prazo de pagamento favorecido de até 360 dias, enquanto os financiamentos internos taxados entre 20 e 30% ao ano foram mantidos com prazos de pagamento curtos. Faltou proteção para o produto nacional. Esses dados fazem parte de um levantamento rico em dados e divulgando ontem pela Faep.

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