O mercado brasileiro de produtos de higiene e beleza está faturando este ano US$ 4,7 bilhões, o que representa um crescimento de 23% sobre 1995. Desde o início da década este mercado vem em expansão constante. Em 1990 o faturamento, de US$ 1,64 bilhão, era cerca de um terço do valor atual. Para profissionais do setor, tamanho êxito tem uma série de causas. Para começar, o ingresso das classes C e D no mercado de consumo, que veio com a estabilização da moeda. Maior educação, levando as pessoas a se preocuparem mais com higiene e aparência física seria outro motivo.
Estão sendo lançados novos produtos, mais sofisticados e eficazes. Mas também é importante o papel desempenhado por exércitos de vendedoras, que encontram nesta área postos de trabalho que estão sendo fechados em outros setores da economia.
Entre as 140 maiores empresas do setor, que representam 95% do faturamento, a previsão é de investimentos de US$ 500 milhões no biênio 1997/1998. Somando com as de pequeno e médio porte, o número de empresas no País que trabalha com cosméticos e produtos de higiene pessoal chega a 500.
A efervescência do mercado está trazendo mudanças na postura das empresas. Presente no Brasil desde 1959, a alemã BDF Nivea decidiu dar novo impulso à subsidiária brasileira. Anunciou investimentos de US$ 80 milhões em cinco anos, está trazendo para o Brasil produtos recém-lançados na Europa e revitalizou seu principal produto, o Creme Nivea, produzido agora com matérias-primas importadas da Alemanha.
Mas é a Avon, a líder desse mercado, quem mais está investindo numa imagem mais moderna. Para o próximo ano, a empresa anunciou investimentos de US$ 116 milhões. A Avon teve um faturamento de US$ 1,35 bilhão neste ano, quase 30% acima do ano passado e lucro de US$ 90 milhões, o que torna a filial brasileira a segunda mais rentável companhia no mundo, atrás apenas da matriz, nos Estados Unidos. Além de cosméticos e perfumaria, a empresa comercializa lingeries, maiôs, meias-calças e bijuterias.
Porta-a-porta A Avon sustenta sua força em 500 mil vendedoras, contingente que aumentou em 50 mil neste ano. Esta também é a forma de atuação da vice-líder do mercado de cosméticos, a brasileira Natura. Seus 140 mil consultores - 95% dos quais são mulheres - foram responsáveis, em 1996, por um faturamento de US$ 830 milhões, 26% acima do resultado de 95.
Também o número de consultoras vem dando saltos: elas eram 100 mil em 1995 e 67 mil em 1994. Grande conhecimento do que vendem, porque também são usuárias, e a facilidade em formar redes de indicações explicam em parte o bom desempenho destas vendedoras.
Mas há também fortes razões econômicas levando tantas mulheres para o mercado, como a queda do poder aquisitivo da classe média, gerando a necessidade de completar renda e o desemprego do marido, explica Mário Coroa, da consultoria MC.
Para Mário Coroa, ‘‘o que faz esse mercado crescer, tanto como fatores econômicos, é o fato de se ter levado educação ao povo. Junto veio maior consciência dos cuidados com o corpo’’. Além disto, cosméticos e tratamento da pele passaram a ser vistos também como parte da higiene pessoal.

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