Em 2012, classe C vai investir R$ 21,7 bi para mobiliar casa
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quarta-feira, 16 de maio de 2012
Victor Lopes <br> <br> Reportagem Local 
Protagonista do boom da construção civil que aconteceu no País nos últimos anos, a classe C busca agora mobiliar a casa. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Data Popular, a nova classe média brasileira deve gastar com a compra de móveis por volta de R$ 21,7 bilhões em 2012, crescimento de 11,9% em relação ao ano passado. Graças a esta movimentação, o consumo neste setor deve saltar de R$ 41,5 bilhões para R$ 44 bilhões - aumento de 5,5%. Já os consumidores de alta renda devem comprar 2,1% a menos do que o ano anterior: cerca de 13,8 bilhões. Entre os consumidores de baixa renda, os gastos também subiram, mais timidamente, de R$ 8,2 bilhões para R$ 8,5 bilhões (3,7%).
O levantamento também apontou que a região Sul foi responsável por 18,9% dos gastos de 2011, ficando atrás do Sudeste (46,7%) e Nordeste (20,9%). O Centro-Oeste e o Norte constribuíram com 7,7% e 5,8%, respectivamente. Entretanto, é nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul que a média domiciliar de gastos com compra de móveis é mais elevada, por volta de R$ 1.031, bem acima da média nacional, que fechou em R$ 851.
De acordo com o diretor do Data Popular, Renato Meirelles, a classe C brasileira já é mais rica do que cerca de 60% da população mundial. ''A cada R$ 100 gastos com móveis no País, mais de R$ 60 são oriundo das classes C e D'', comenta.
Com cerca de 90% das indústrias voltadas para a classe C, o polo moveleiro de Arapongas, que conta com 841 empresas, espera que este ano feche com um faturamento de pelo menos 7% acima do que o de 2011. Segundo dados do Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima), o histórico de faturamento está em ascensão desde 2001, chegando no ano passado a R$ 1,35 bilhões.
Os números da região batem com a pesquisa do Data Popular. Em 10 anos, os brasileiros aumentaram o valor com a aquisição de móveis em 56,8%, saltando de R$ 26,6 bilhões para R$ 41,7 bilhões. ''Até agora as vendas realmente não estão boas, mas esperamos que haja um crescimento de 7% em 2012, principalmente se o governo prorrogar o prazo da insenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para móveis'', avalia Nelson Poliseli, presidente do Sima.
Ele explica ainda que algumas empresas do polo estão vislumbrando aumentar a produtividade neste ano, mas que boa parte das indústrias está trabalhando com o mesmo produto há cerca de dois anos. ''Produzimos especificamente para esta classe. São produtos de menor valor agregado, mas com boa qualidade, especificamente para atender esta nova classe média'', relata Poliseli.



