Curitiba - O número de brasileiros que procuraram os credores para pagar dívidas em atraso e sair do vermelho teve um crescimento significativo neste ano. Foi o que apontou um levantamento realizado pela Serasa Experian. De janeiro a outubro deste ano, mais de 16 milhões de consumidores tiveram seus nomes limpos, o que representa um aumento de 16,3% em relação ao mesmo período do ano passado.
No entanto, a quantidade de pessoas que entraram na lista vermelha dos inadimplentes nos primeiros dez meses do ano atingiu 21,5 milhões, o que representou um crescimento acumulado de 9,5%.
''O bom momento vivido pelo mercado de trabalho no País, com as taxas de desemprego em patamares baixos e ganhos salariais acima da inflação, está motivando as pessoas a quitar suas dívidas'', afirmou o presidente da Serasa Experian e da Experian América Latina, Ricardo Loureiro.
A superintendente de serviços ao consumidor da Serasa Experian, Maria Zanforlin, disse que as pessoas estão com uma condição de emprego mais favorável e com aumento da renda. De acordo com dados do Departamento de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), só no primeiro semestre do ano, 96,5% das negociações salariais tiveram ganho real. Além disso, ela destacou que, com entrada do 13º salário muitas pessoas aproveitam para saldar dívidas existentes ao invés de realizar novas contas.
A recomendação dela para os consumidores é tentar renegociar as dívidas com redução do valor devido ou aumento do número de parcelas com valores mensais menores. Ela acredita que a tendência para os próximos meses é aumentar o número de pessoas que devem conseguir sair do vermelho e diminuir o volume de inadimplentes.
Para acelerar a queda da inadimplência, a Serasa lançou em outubro o serviço ''Limpa Nome'', que funciona como uma ponte on-line entre os consumidores com pendências financeiras e as empresas credoras. No portal, é possível obter descontos na dívida, condições de pagamento diferenciadas e boleto para pagamento.
O consultor financeiro da Inva Capital, Raphael Cordeiro, alertou que o crescimento de 9,5% do volume de inadimplentes é alto. ''A luz amarela foi acesa no início do ano e continua'', disse. Segundo ele, o que é ''saudável'' é que o crédito está crescendo em um ritmo mais lento e com juros menores.
''O financiamento do imóvel próprio é a última coisa que as pessoas deixam de pagar'', afirmou. Caso isso aconteça em proporções maiores seria preocupante, segundo Cordeiro. Ele acredita em redução da inadimplência em 2013. Segundo Cordeiro, a continuação da desaceleração da tomada de crédito, com juros menores, mas com a economia crescendo, levaria ao aumento maior da renda. (Com Folhapress)

Imagem ilustrativa da imagem Em 2012, 16 milhões de brasileiros 'saíram do vermelho'
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