Em 2006, país exportou apenas 12 mil toneladas
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segunda-feira, 18 de junho de 2007
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Levantamento realizado pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT) aponta que em 2001 as exportações brasileiras do setor de vestuário atingiram um pico de 22.877 toneladas. A partir de 2003 começou a retração. No ano passado, as vendas para o mercado externo foram de apenas 12 mil toneladas. Em 2010, a previsão é que diminua ainda mais e caia para 8 mil toneladas em função da queda do dólar.
O cenário do comércio internacional do setor têxtil e de confecção depois do fim da vigência do Acordo de Têxteis e de Vestuário (ATV) - que permitia a imposição de cotas de importação contra países em desenvolvimento, sobretudo a Ásia - também tem afetado a penetração dos produtos brasileiros no exterior. O Brasil, por outro lado, não conseguiu avançar na realização de acesso preferencial aos grandes mercados importadores como América do Norte, União Européia e Japão. O setor movimenta quase US$ 500 bilhões por ano nos negócios internacionais.
Outro grande problema enfrentado pelo setor é a importação de produtos da China. Em 2006, a China declarou mandar 37 mil toneladas de vestuário para o Brasil mas, na aduana brasileira foram registradas apenas 22 mil toneladas. Entre 2004 e 2006, a divergência foi de 42 mil toneladas, o que aponta, segundo a associação, o descaminho nas operações de importação.
Em um estudo divulgado em março pela Confederação Nacional da Indústria ficou evidenciado que 52% das empresas brasileiras diminuíram sua participação nas vendas internas, devido a concorrência com os produtos da China. Os mais atingidos foram os têxteis e, em seguida, o vestuário.
A competitividade do setor no Brasil tem sido colocada em risco devido a desvalorização do dólar, as altas taxas de juros, crédito escasso, alta carga tributária, falta de acordos internacionais de acesso aos principais mercados importadores do mundo (Estados Unidos e União Européia) e aumento nos custos de produção com a energia elétrica.
As importações em geral, cresceram a uma taxa média de 45% ao ano entre 2002 e 2006 enquanto a produção nacional teve uma taxa média de retração de 2,41% ao ano. Em 2010, a previsão é que a produção doméstica seja de 836 mil toneladas, o que representará uma retração de 18% em relação a 2002. Segundo a associação, isso deve trazer um grande impacto para os empregos do setor.
Empregos - Segundo dados do Ministério do Trabalho, o setor têxtil e de confecção é o segundo maior empregador formal de toda a indústria de transformação. Atualmente, o setor possui mais de 1,6 milhão de trabalhadores diretos, sendo cerca de 1,2 milhão dedicados a produção de confecções (vestuário e têxteis para o lar). Destes 1,2 milhão de empregos na confecção, 75% são ocupados por mulheres e 57% tem até a oitava série do ensino fundamental. Existem no Brasil mais de 70 escolas de moda e design e 12 cursos de nível superior na área de engenharia têxtil e de tecnologia.


