São Paulo - A Merrill Lynch prevê um superávit comercial de US$ 20 bilhões no ano que vem, bem acima das estimativas de US$ 12 bilhões correntes no mercado. Em um relatório distribuído para clientes, a corretora também calcula que o déficit em conta corrente do Brasil, que deve fechar o ano entre US$ 12 bilhões e US$ 13 bilhões, caia para perto de zero em 2003. ''O ajuste das contas externas é muito positivo, ainda mais porque não ocorreu às custas de uma grave recessão, como nos países asiáticos depois da crise de 1998'', diz Miguel Palomino, economista-chefe para a América Latina da Merrill Lynch.
Segundo ele, houve uma mudança de rumo no País, com a redução na vulnerabilidade externa. ''Todos tinham medo do que está acontecendo agora - uma súbita reversão no fluxo de capitais em um país que, nos últimos anos, dependia muito disso'', diz. ''Mas o Brasil não quebrou, e além de tudo não entrou em recessão.'' A redução da vulnerabilidade deve trazer de volta o capital estrangeiro arredio. ''Como diz o ditado, os bancos só emprestam para quem não precisa.''
De acordo com os cálculos de Palomino - conservadores, como ele próprio define -, o País deve crescer 1% em 2003. Com isso, não haverá aquecimento nas importações, que devem cair entre 1% e 4%. Este ano, elas devem fechar em queda de cerca de 14%. Mas o número mais animador é o de aumento nas exportações. Segundo as contas de Palomino, as vendas externas irão crescer 14%, contra cerca de 3% em 2002. ''A economia do mundo irá se recuperar em 2003 e o Brasil vai se aproveitar desta demanda com câmbio competitivo.''
Um dos motivos para o desempenho projetado por Palomino seria a substituição de importações. Ele acredita que os efeitos da desvalorização na troca de produtos importados por similares nacionais ainda não foram absorvidos e serão sentidos com mais força.

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