O aumento das tarifas públicas está comprometendo a renda dos consumidores. Entre dezembro de 2000 e outubro de 2001, o gasto com o pagamento de tarifas como energia elétrica, gás de cozinha, transporte coletivo, táxi, telefone, gasolina, água e esgoto, correio e pedágio subiu 22,7%. Nesse período, a inflação foi de 7,31% e os reajustes salarias, em média, ficaram abaixo da inflação, entre 6% e 7%.
Para manter o orçamento equilibrado, o consumidor vem reduzindo as compras com alimentação e vestuário, avaliou Cid Cordeiro, supervisor do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). O desembolso mínimo com as tarifas dos serviços, que era de R$ 264,74 em dezembro, passou para R$ 325,01 em outubro, que corresponde a um pagamento adicional de R$ 60,00. Considerando a renda média mensal de uma família de quatro pessoas, que mora na zona urbana, de R$ 1,1 mil, o impacto do reajuste das tarifas públicas foi de 5,5%, calculou.
Mesmo as classes menos favorecidas, em que as pessoas ganham salário mínimo, cujo reajuste foi de 19%, o consumidor acabou tendo que gastar o salário com o pagamento das tarifas. ''Isso significa que todo o aumento obtido no reajuste salarial foi consumido com as tarifas.''
Com isso, o consumidor ficou com seu poder aquisitivo comprometido e reduziu gastos em outros itens, sendo alimentação e vestuário os mais comprometidos. Diante da decisão do consumidor em sacrificar esses itens, os alimentos que compõem a cesta básica tiveram uma evolução de 10% nos preços, nos últimos 12 meses.
As tarifas vêm pressionando a renda dos consumidores desde 1995, quando se iniciou o período de privatização das empresas públicas, disse Cordeiro. Segundo ele, o governo vendeu a privatização dos serviços para a opinião pública com o argumento que as tarifas seriam mais baratas, e o que se viu foi o inverso.

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