Elevação de compulsório aumenta juros
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sexta-feira, 14 de junho de 2002
Agência Folha 
Brasília Menos de 24 horas depois de o governo anunciar o minipacote econômico para conter o nervosismo do mercado, o Banco Central precisou atuar de maneira agressiva, desde a manhã de ontem, numa nova tentativa de acalmar os investidores.
O BC vendeu dólares para segurar as cotações e retirou R$ 6,5 bilhões do mercado para conter a especulação, mas não conseguiu frear a alta da moeda norte-americana.
Pouco depois do início das operações no mercado de câmbio, o BC já anunciava o aumento, de 10% para 15%, da alíquota de recolhimento compulsório sobre depósitos a prazo. Isso quer dizer que, de agora em diante, de cada R$ 100,00 que os bancos captam por meio de CDBs (Certificado de Depósito Bancário), R$ 15,00 precisam ser depositados no BC.
A medida deve retirar cerca de R$ 6,5 bilhões do mercado. Com menos dinheiro em caixa, os bancos terão menos recursos disponíveis para, por exemplo, comprar dólares, o que pode frear a alta da cotação da moeda. Segundo o chefe do Departamento de Operações Bancárias do BC, José Antônio Marciano, o objetivo da medida é retirar dos bancos recursos que poderiam ser usados em ações especulativas.
A mesma medida já havia sido adotada em outubro de 2001. Na época, a cotação do dólar chegou a ultrapassar os R$ 2,80, e o BC elevou a alíquota do compulsório de zero para 10%.
Além de reduzir a pressão sobre a cotação do dólar, o aumento do compulsório provoca a alta dos juros praticados pelos bancos: com menos recursos disponível, as instituições financeiras passam a cobrar taxas maiores para fazer empréstimos


