As vendas inesperadas do comércio varejista no Natal ainda não trouxeram dividendos para a indústria. Esta é a avaliação do presidente da Eletros, Roberto Macedo, que desconhece um volume alto de encomendas, para reposição de estoques, que apontem para um reaquecimento da atividade industrial.
‘‘Nossa situação ainda não melhorou nada; apenas deixou de piorar’’, disse Macedo. A Eletros ainda não tem o número de vendas do setor em dezembro, mas Macedo afirmou que o resultado deverá, porém, ser melhor do que o do mês de novembro, quando houve uma queda de 40% das vendas, em relação a 1996. ‘‘Devemos voltar à situação de setembro e outubro, com uma queda de 20%.’’
Macedo acredita que o bom desempenho das vendas em dezembro ocorreu porque novembro foi muito ruim em função das medidas fiscais anunciadas pelo governo e também pelo efeito psicológico do pacote no consumidor. ‘‘Não há base sólida para que se possa acreditar na volta do consumo a curto prazo’’, disse.
De acordo com ele, as vendas e as liquidações de fim de ano desovaram tanto os estoques do comércio quanto o de empresas. Essas vendas não implicaram, no entanto, em ganhos imediatos para as empresas porque não foram feitas, necessariamente, à vista. Outro indicativo de que não há reaquecimento industrial é de que nem todas as empresas anteciparam a volta de trabalhadores em férias coletivas. Ao contrário, há boatos de que muitas empresas em Manaus (AM) teriam adiado a volta, segundo Macedo.

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