Rio de Janeiro - Os eletroeletrônicos despontam como as maiores vítimas do dólar alto este ano. Especialistas indicam que o setor, com grande presença de importados, será um dos mais afetados pela desvalorização cambial. O aumento de custos causado pela arrancada da moeda americana leva fabricantes e varejistas a repassarem o impacto cambial aos preços ao consumidor, deixando os eletroeletrônicos muito mais caros neste Natal.
  A rede de varejo Ponto Frio, com forte atuação no segmento de eletroeletrônicos, recebeu poucos produtos com reajuste por causa da alta do dólar, conta o diretor comercial, Marcos Vignal. De acordo com o executivo, os únicos itens que ficaram mais caros são os de informática, como notebooks e computadores de mesa (desktops).
  Vignal estima que o reajuste ficou entre R$ 100 e R$ 150, o que não deverá impedir as vendas desses equipamentos neste Natal. Ele até esperava algum reajuste das fabricantes de câmeras digitais e dos televisores de plasma e LCD, o que não ocorreu. ‘‘As TVs de LCD e plasma vinham num processo de queda de preço. A gente observou que esse processo parou. Hoje o preço está estabilizado.’’
  Por causa da escassez de crédito provocada pela crise mundial, a rede varejista já havia cortado pela metade a oferta de produtos em suas lojas que podiam ser parcelados em 10 vezes sem juros, por exemplo. Além disso, os juros no crediário foram reajustados, em média, em 0,5%. O Ponto Frio tem 1,4 milhão de clientes que utilizam essa forma de pagamento.
  O consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Júlio Gomes de Almeida, comenta que, de maneira geral, o setor está sendo afetado por dois fatores: restrição de ofertas de crédito e impacto cambial.
  Porém, a influência do dólar elevado vai recair principalmente nos preços, que devem ficar bem acima dos praticados em Natais anteriores. Mas o mesmo não deve ocorrer neste Natal. ‘‘Sem dúvida os preços (dos eletroeletrônicos) vão ficar mais caros. Acho que agora deve estar ocorrendo uma forte negociação entre varejistas e fornecedores, para falar sobre o nível de preços.’’

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