No Mercado das Balanças, na Rua Guaporé (região central de Londrina), existe uma infinidade de marcas e modelos de balanças que pesam de 1 grama até 4,5 mil quilos. Elas são mecânicas, eletrônicas com sensores e algumas até lêem código de barras. As campeãs em vendas, porém, são as comerciais eletrônicas para uso no varejo que custam entre R$ 600 a R$ 1 mil. Comumente usadas em mercados, feiras livres, entre outros estabelecimentos, essas balanças caíram no gosto dos comerciantes porque junto com o peso já sai o preço.
Da linha antropométrica (balança de médico) à balança romana (chamada de balança de peixeiro) e até a balança de vara (aquelas antigas que pesavam fardos de algodão), o Mercado das Balanças tem ainda como relíquia duas balanças analíticas - aquelas que usam balancim como contrapeso. Outra relíquia é a balança Cosmopolita, de fabricação americana, com mais de 100 anos e que se destaca entre as demais no estabelecimento pela cor vermelha. ''Essa balança pesou muito café, era usada nas grandes fazendas'', diz o técnico em balança e proprietário da loja, Carlos Roberto Muniz. Ele começou a trabalhar há 30 anos com o pai, que era balanceiro. Na época, tinha só 12 anos.
Muniz observa que hoje em dia as eletrônicas são muito difíceis de terem erros. É difícil fazer falcatruas no sistema eletrônico, diz ele, porém o principal quesito ao adquirir uma balança é saber se ela está lacrada e com selo do Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro). ''Outros modelos são mais fáceis de serem mexidos. Já vi até colocarem imã para adulterar o peso'', relata Muniz, que é autorizado pelo Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) para aferir as balanças.
Todo ano o estabelecimento dele passa por uma avaliação para continuar prestando o serviço. ''Existem muitos picaretas que não têm capacidade técnica e não são autorizados, mas prestam o serviço mesmo assim, o que acaba lesando as pessoas.''
O técnico em balanças Celso Luiz Teixeira, que trabalha no estabelecimento, ressalta as vantagens das balanças eletrônicas. ''Com as eletrônicas o usuário tem uma economia de espaço com a vantagem de ter uma precisão melhor''. Para durabilidade maior da balança, ele recomenda não colocar peso por muito tempo no prato.
Entretanto, Teixeira salienta que não basta ter balanças. É necessário usá-las e, muito bem, na frequência e na qualidade das pesagens. A manutenção, aferição periódica e a segurança de correto funcionamento com o uso, por exemplo de um peso padrão a cada início de operação, devem ser práticas, absolutamente, fundamentais. ''Enfim, uma boa balança é crucial para a lucratividade nas operações''. (V.B.)

mockup