Curitiba - O setor da indústria eletroeletrônica deve fechar este ano com um déficit estimado na balança comercial de US$ 8 bilhões, valor que vem crescendo nos últimos anos principalmente em função da ''invasão'' de produtos chineses no mercado. Para frear essa concorrência, a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) reivindica ao governo brasileiro a regulamentação do mecanismo de salvaguarda, previsto pela Organização Mundial do Comércio (OMC).
Segundo o presidente da Abinee, Ruy Salles Cunha, o objetivo é fazer com que o governo adote medidas como a fixação de cotas para importação, de valoração aduaneira, além de incrementar a fiscalização na alfândega. ''Hoje um sapato chega ao Brasil a US$ 0,18, isso quando não vêm sapatos com quatro pés no mesmo preço'', diz, ressaltando a necessidade de que as guias de importação sejam emitidas com maior cautela. Ele cita, ainda, a entrada de produtos por países vizinhos, como o Paraguai,
Cunha esteve em Curitiba, ontem, para falar com empresários sobre as ações que a entidade vem tomando para proteger o setor. O Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio, de acordo com ele, vem se mostrando sensível ao problema, mas o governo teme que medidas de salvaguarda possam gerar medidas semelhantes da China contra o Brasil, prejudicando as exportações (aço, produtos agrícolas etc.) para aquele país.
De acordo com o empresário, o ministério agendou, para a segunda semana de setembro, uma reunião para tratar do assunto com o governo chinês. A Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), no entanto, insatisfeita com a demora na regulamentação da salvaguarda, teria intenção de entrar com ação judicial contra o governo por danos econômicos às indústrias brasileiras. A Abinee também contatou com a Argentina para buscar saídas conjuntas para o Mercosul.
No âmbito dos eletroeletrônicos, o setor de componentes é o mais prejudicado. De 200 fabricantes existentes na década de 90 no Brasil, hoje sobraram apenas 50. As indústrias de semicondutores também caíram de 30 para apenas quatro. O resultado é que este ano as importações de componentes chegarão a quase US$ 10 bilhões, o correspondente a 66% do total importado. Segundo ele, a China é responsável por 36% das importações na área.
Apesar da concorrência, a expectativa é de que o faturamento da indústria de eletroeletrônicos cresça 15% este ano, chegando a R$ 93 bilhões. Por outro lado, as importações também devem crescer 18%, atingindo quase US$ 15 bilhões. No ano passado, as exportações passaram de U$ 5 bilhões contra US$ 12 bilhões importados, gerando um déficit de US$ 8 bilhões. ''Este ano devemos ter um déficit de US$ 8 bi, 7% superior a 2004. Se nada for feito, esse déficit pode dobrar até 2010'', avalia Cunha.

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