Eletroeletrônico é sensação da indústria
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quarta-feira, 20 de novembro de 1996
Maria Cristina Pfau 
Alavancada pela estabilização econômica e um crescimento sem precedentes nas vendas, a indústria eletroeletrônica está passando por rápidas transformações. Quase tanto quanto produtos novos, têm surgido novas indústrias.
Os grandes grupos do setor de todo o mundo que não estavam aqui estão chegando. E entre estes, são os coreanos que prometem os investimentos mais altos. Além da eletrônica de consumo, diversas empresas têm planos também para a telefonia celular e telecomunicações.
O mercado de produtos eletrônicos em 1995 foi de US$ 12 bilhões. Destes, US$ 8 bilhões vieram das vendas de áudio e vídeo, sendo o restante da linha branca e eletroportáteis. Mesmo com as dificuldades que ainda enfrenta, o brasileiro está indo às compras.
A estimativa para este ano é de um aumento nas vendas de TVs de 50% e também em outros segmentos os percentuais são expressivos. O número projetado de aparelhos de TV vendidos, 9 milhões, só não será alcançado se faltar produto neste fim de ano, o que é uma possibilidade real, segundo fontes do setor.
Maior grupo coreano, com um faturamento de US$ 87 bilhões em 1995, a Samsung já ganhou sua primeira aposta no potencial de mercado: sua fábrica de Manaus, inaugurada em dezembro de 1995 - em seu primeiro ano e antes do prazo previsto -, conquistou 4% do mercado, com 350 mil televisores vendidos.
Em setembro começaram as obras de uma segunda fábrica em Manaus, esta de cinescópios, ou tubos de imagens de TVs de 14, 20 e 21 polegadas, com investimentos de US$ 300 milhões. É que a Philips, única fabricante de cinescópios no País, só tem capacidade de produção de 7 milhões de unidades/ano.
Há poucos dias a direção da Samsung anunciou mais duas fábricas para o Brasil: uma de telecomunicações e outra de linha branca, que começará a fabricar geladeiras. O investimento dificilmente ficará abaixo de US$ 150 milhões, diz o gerente Rogério Dezembro.
Mas é a quarta fábrica da Samsung, de telecomunicações, que provocará o maior suspense. A empresa concorre à exploração da banda B de telefonia celular. Se não ganhar uma concorrência satisfatória, se limitará a fabricar pagers, centrais de PABX e aparelhos convencionais, num investimento de US$ 50 milhões.
Também a Lucky Gold Star - ou LG -, terceiro maior grupo coreano, tem planos para diversas áreas, em eletrônica de consumo e informática. No primeiro semestre anunciou investimentos de US$ 1,17 bilhão em Taubaté.
A Daewoo, segundo grupo coreano fabricante de automóveis e eletrodomésticos, está analisando seus futuros investimentos. Após a maturação de seu mercado doméstico, os grandes grupos coreanos vêem o Brasil, e por extensão a América do Sul, - como um dos grandes mercados do mundo.
O mesmo apelo sentido pelos coreanos tem trazido para cá os grandes grupos europeus. A Electrolux, maior grupo de eletrodomésticos daquele continente, uniu-se à Prosdócimo. No final de 1995 a Bosch-Siemens, segundo grupo europeu, iniciou a fabricação de refrigeradores e telefones celulares em sua nova fábrica em Hortolândia (SP), onde foram investidos US$ 70 milhões.
O terceiro grupo europeu, Whirpool, também deve vir para o Brasil. Quanto ao quarto grupo, a italiana Merloni, já é certeza. Em associação com a CCE, vai produzir aparelhos da linha branca como refrigeradores e freezers em fábrica que está sendo construída em Itu, com investimentos de US$ 75 milhões.
A CCE, um dos grandes grupos brasileiros de áudio e vídeo, que deve faturar este ano US$ 1 bilhão, 20% a mais que no ano passado, tem bons motivos para entrar na linha branca. Segundo dados da Eletros, a associação dos fabricantes de produtos eletroeletrônicos, nos nove primeiros meses do ano lavadores tiveram um aumento de 55% nas vendas; refrigeradores, de 32% e fornos de microondas, de 73%.
A GE, uma das grandes fabricantes mundiais de eletrodomésticos, deve faturar este ano US$ 80 bilhões. Ela voltou à fabricação de linha branca no Brasil este mês, quando comprou a Dako, líder na produção de fogões.


