O governo brasileiro decidiu suspender, por tempo indeterminado, a instalação das duas últimas turbinas na Hidrelétrica de Itaipu, a maior do mundo. A decisão foi comunicada ontem ao diretor-geral brasileiro da Itaipu, Euclides Scalco, pelo presidente da Eletrobrás, Firmino Ferreira Sampaio Neto.
Orçada em US$ 190,1 milhões (cerca de R$ 330 milhões), a obra tinha previsão inicial de conclusão até 2001 e deveria gerar aproximadamente mil empregos diretos, somente em Foz do Iguaçu. Atualmente, Itaipu realizava o processo de licitação internacional para a compra do mauqinário das duas turbinas e para a contratação da empresa que executaria a obra na hidrelétrica. Três grandes consórcios já realizavam o processo de pré-qualificação para a fabricação das máquinas.
A justificativa da Eletrobrás foi de que a estatal optou por investir o dinheiro em outras usinas hidrelétricas e termoelétricas no País. Por esse raciocínio, a ‘‘diluição’’ dos recursos em diversos projetos menores trará mais rapidamente o aumento na produção de energia necessário para atender o crescimento da demanda.
De acordo com levantamentos da Eletrobrás apresentados a Scalco, há no País 11 hidrelétricas capazes de receber novas turbinas, que poderiam entrar em operação num prazo mais curto que o previsto para as duas novas unidades de Itaipu. Pelo andamento atual do projeto, a estatal prevê que as duas turbinas da binacional só estariam prontas em 2003. Além disso, a Eletrobrás estuda a construção de 15 usinas térmicas movidas a gás.
A Folha tentou ouvir Scalco no final da tarde de ontem. Segundo assessores, ele estava em viagem. A reportagem apurou que a decisão foi tomada pelo governo brasileiro há cerca de dez dias e comunicada ontem à diretoria de Itaipu, composta por seis autoridades brasileiras e seis paraguaias. Itaipu é binacional, mantida pelos dois países.
Atualmente, Itaipu opera com 18 turbinas e capacidade para gerar 12,6 milhões de quilowatts (24,5% do consumo brasileiro). Com as duas novas turbinas, a capacidade de produção subiria para 14 milhões de quilowatts.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu, Tibiriçá Botto Guimarães, lamentou a decisão. ‘‘A região perde muito com isso. A obra iria diminuir o desemprego, provocado principalmente com o fim da construção de Itaipu’’, disse à Folha. A expectativa era de que a obra absorvesse operários e técnicos que permaneceram em Foz após a conclusão da hidrelétrica, em 1984. A decisão brasileira também deverá provocar reações no governo paraguaio.

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