Curitiba - O presidente das Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobras), Silas Rondeau Cavalcante Silva, descartou ontem em Curitiba a possibilidade de apagões antes da implantação total do novo modelo do setor elétrico, ao responder sobre reportagem do jornal britânico Financial Times que alerta para risco de racionamento de energia.
De acordo com Silva, o novo modelo está sendo implantado paulatinamente até 2007 e irá incentivar os investidores estrangeiros e brasileiros a aplicarem recursos em transmissão e geração de energia. ''Estamos reposicionando os investidores em energia elétrica, que serão recompensados no novo sistema energético brasileiro. Nesse momento temos uma bolha de oferta de energia sendo oferecida a preços baratíssimos. Mas quem trabalha com energia sabe que não se pode parar para evitar riscos de apagão. E não estamos parados'', declarou Silva, em entrevista à imprensa.
Silva garantiu que os investimentos que estão sendo feitos no setor energético garantem um abastecimento de energia elétrica no País nos próximos três anos, mesmo que a economia brasileira cresça 4% ao ano, acima das previsões do próprio governo. ''Se a economia cresce 4%, sabemos que teremos que crescer 6% no setor energético para conseguirmos suprir a demanada. Mas pela primeira vez, o crescimento está sendo planejado. A Itaipu Binacional, por exemplo, está investindo no ano que vem na compra de duas turbinas que irão gerar uma energia de 1,4 mil megawatts (MW)'', exemplificou Jorge Samek, diretor-presidente da Itaipu Binacional.
As principais dificuldades elencadas por Silva para um crescimento ainda maior em investimentos são os empreendimentos ainda não liberados por problemas ambientais e a transição entre os modelos energéticos atual e novo. ''Está havendo uma ação interministerial para acabar com os problemas ambientais que ainda estão impedindo que novos investimentos sejam realizados no Brasil. Vamos achar o caminho certo. Queremos garantir um mercado futuro de mais segurança para os investidores e para os consumidores, que não sofrerão mais com os apagões'', disse ele. ''Apagão é coisa do governo passado'', criticou Samek.
O presidente da Eletrobras evitou falar sobre as tarifas da energia elétrica com o novo modelo econômico. Ele garantiu apenas que a nova política irá coibir os abusos, na medida em que existe uma mecânica que proíbe o crescimento desordenado das tarifas de energia. Samek, no entanto, garantiu que a longo prazo os consumidores sentirão reflexos no preço da tarifa. ''Teremos diminuição (de tarifa), quando o novo modelo estiver implantado'', afirmou Samek.

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