Rio - O governo estuda mecanismos para sanear o sistema elétrico nacional entre os quais pode estar incluído a utilização de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como forma de financiar empresas do setor que passam por dificuldades. Segundo o presidente da Eletrobrás, Luiz Pinguelli Rosa, o saneamento financeiro do setor é prioridade.
Ele disse que a atual situação de muitas empresas de energia, incluindo as do setor privado, é resultado de um modelo equivocado que foi implantado pelo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Por isso, a Eletrobrás montou um grupo de estudo que irá planejar e reformular o atual modelo, que priorizou a construção de usinas termelétricas ao invés de hidrelétricas.
As termelétricas têm custo em dólar e os gastos com sua manutenção foram afetados pela depreciação cambial.
''A prioridade número um da Eletrobrás é o saneamento da situação financeira do setor elétrico'', disse Pinguelli.
Ele lembrou, no entanto, que uma reestruturação das empresas estatais de energia passa necessariamente pelo saneamento das companhias privadas, que têm dívidas com a Eletrobrás.
''O setor está muito pior do que nós pensávamos, mas não é um caso insolúvel. Há soluções que vão incluir também empresas privatizadas como a Light.''
Pinguelli afirmou ainda que será preciso haver uma revisão da atual tarifa paga às geradoras de energia.
Segundo ele, as tarifas cobradas atualmente estão fora da realidade. ''Hoje, as geradoras vendem abaixo do custo. Isso é injusto.''
De acordo com ele, a intenção é que haja, como já foi sugerido pela ministra de Minas e Energia, um ''pool'' composto por energia velha e energia nova, que dê condições para que as geradoras aumentem os preços das tarifas sem que isso afete o bolso do consumidor.

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