Eletrobrás alerta: há risco de blecaute
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quarta-feira, 10 de setembro de 1997
Agência Estado Ibiúna, SP 
Arquivo FolhaA todo vaporUsinas de geração de energia estão operando no limite da capacidade: reserva de potência para emergências é a mais baixa desde o início de operação da ItaipuRelatório da Eletrobrás divulgado ontem pela empresa Furnas Centrais Elétricas SA evidencia o risco de blecaute nas regiões Sul, Sudeste e Centro-oeste, em razão do aumento no consumo acima do previsto. A reserva de potência do sistema para atender a situações de emergência é a mais baixa desde que a Hidrelétrica de Itaipu entrou em operação. E as usinas de geração estão operando no limite da capacidade.
De acordo com o chefe do departamento de produção da subestação de Furnas em Ibiúna, Jadir de Araújo, equipamentos e redes estão recebendo manutenção sem ser desligados. O saldo médio de reserva de potência no horário de ponta de carga (pico de consumo) em agosto caiu de 1,8 mil megawatts em 96 para menos de 900 mw este ano. Em 95, a reserva nesse mês era de 2,1 mil mw e no ano anterior, de 3 mil mw.
De acordo com Araújo, o setor preparou-se para um crescimento na demanda de energia de 3,3% ao ano, mas desde o Plano Real o consumo vem crescendo 5,8% por ano. A situação está sendo agravada este mês, segundo ele, pela estiagem, que causa perda na capacidade de produção das usinas. Com o sistema operando no limite, o risco de blecaute é muito maior, reconheceu.
Um problema técnico ocorrido segunda-feira na região de Campinas (SP) só não teve consequências mais sérias porque aconteceu durante a madrugada, Se fosse em horário de ponta de carga, teríamos interrupção no fornecimento à região, afirmou.
Em julho houve o risco de se repetir o blecaute que deixou parte do Sul e Sudeste sem energia, entre os dias 24 e 25 de abril. Naquela ocasião, segundo Araújo, houve um salto no consumo por volta das 18 horas e vários equipamentos que controlam a tensão estavam desativados. Para complicar, a Companhia Energética de São Paulo (Cesp), que faz a distribuição da energia, tinha grande parte de seus reatores - que funcionam como funil no sistema - ligados.
Para tentar evitar a falta na região, que responde por 73% da produção industrial do País, Furnas vai comprar energia do Projeto Garabi, no sul da Argentina. Vamos trazer cerca de mil megawatts para abastecer o Sul, hoje suprido através de uma sangria na rede de transmissão de Itaipu.
A empresa espera concluir até dezembro de 98 a interligação dos sistemas Norte/Nordeste e Sul/Sudeste, com a construção de 1,5 mil quilômetros de linhas a um custo de US$ 738 milhões. O ganho será de 600 megawatts médios anuais. A vantagem é que o regime de chuvas dessas regiões se complementam e, quando há falta de energia no Sul, há excedente no Norte, explicou Araújo.
Furnas projeta também a construção de um terceiro linhão de Foz do Iguaçu (PR) a Tijuco Preto, em Mogi das Cruzes (SP), para aliviar a carga dos dois existentes, mas ainda não há prazo para iniciar as obras. Até o final do ano, entra em operação a terceira turbina da Usina de Corumbá, Mato Grosso (375 mw) e, em abril de 98, uma turbina com produção de 430 mw na Usina da Serra da Mesa (GO). Vamos conseguir respirar só em 99, disse Araújo.
Consumidor A empresa Furnas decidiu investir em projetos para redução no consumo de energia na tentativa de aliviar a pressão sobre o sistema. Um estudo entregue à prefeitura de São Roque, cidade de 45 mil habitantes a 60 quilômetros de São Paulo, propõe a troca das 5.698 lâmpadas de iluminação pública por 5.362 que consomem menos energia e garantem mais luminosidade.
O consumo será 38% menor. O investimento, de R$ 477 mil, seria recuperado em três anos, com a economia de R$ 155 mil por ano na conta de luz da prefeitura. O projeto, oferecido gratuitamente, está sendo estudado. Fizemos trabalhos semelhantes para as prefeituras de Manaus e Salvador, contou Araújo.
A empresa montou um estande móvel para mostrar às crianças como economizar energia em casa. No ano passado, 1.270 escolares aprenderam, na subestação de Ibiúna, que meia hora de banho de chuveiro diário na posição inverno custa R$ 9,00 por mês e que freezer e geladeira ligados o tempo todo podem consumir até R$ 38,00 por mês.
A empresa vai iniciar agora o treinamento de professores. Além do aumento na oferta, temos que pensar na outra ponta, evitando gastos desnecessários de energia, disse. Estão programadas duas exposições sobre o tema em São Paulo, de 23 a 26 próximo, na Caixa Econômica Federal da Avenida Paulista e na Universidade Mackenzie.


