Elétricas se preparam contra o 'bug'
Lúcio Flávio Moura
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
Um estande denominado Bug Room está mostrando o que a Eletrobrás, a Itaipu Binacional e outras cinco empresas do setor elétrico Eletronorte, Eletrosul, Companhia Hidroelétrica do Rio São Francisco (Chesf), Furnas e a Eletronuclear estão fazendo para evitar a possível pane em seus computadores na virada do ano.
Os visitantes da exposição paralela do 15º Seminário Nacional de Produção e Transmissão de Energia Elétrica (SNPTEE), que está acontecendo desde domingo no Centro de Convenções do Hotel Rafain Palace, em Foz do Iguaçu, estão recebendo, no estande um dos 59 da feira , material informativo sobre os programas implementados pelas sete empresas, consideradas estratégicas no Programa Brasileiro Ano 2000, que unifica os esforços do governo federal para combater os efeitos do bug.
O bug do milênio é a incapacidade dos sistemas de informática lerem os quatro dígitos do ano 2000. A partir do início da década o problema passou a preocupar os especialistas em informática, que temiam grandes prejuízos financeiros e operacionais com a eventual pane.
Um dos exemplos de mobilização interna para combater o problema foi dado por Itaipu, uma das organizadoras da feira. Férias de analistas e gestores da área de informática, marcadas de dezembro a fevereiro, foram suspensas como medida de precaução e economia. Com mão-de-obra própria, a empresa binacional modificou todos os seus 42 mil programas de microcomputadores e converteu aproximadamente 7 milhões de linhas de código. Se o serviço fosse terceirizado, a empresa teria que gastar cerca de R$ 20 milhões.
O secretário nacional de Energia, Benedito Carraro destacou na solenidade de abertura SNPTEE evento promovido pela Itaipu em conjunto com a Cigré (espécie de federação internacional que congrega empresas geradoras, distribuidoras, indústrias de componentes universidades e entidades de pesquisa do setor elétrico de mais de 80 países) que o País deve diminuir sua dependência em relação a energia produzida por usinas hidrelétricas.
Carraro disse que serão necessários investimentos de US$ 8 bilhões para adequar o novo modelo do sistema elétrico brasileiro. Parte dos recursos deverá ser bancada pela iniciativa privada com a ajuda do BNDES.
A principal meta é quadruplicar a participação das unidades termoelétricas no bolo da oferta de energia. A produção de usinas movidas a carvão mineral, gás natural e óleo diesel deverá representar em dez anos um quinto (20%) do total da energia oferecida no Brasil. Hoje, a participação das termoelétricas é de aproximadamente 5%.





