Funcionários da subestação em Foz do Iguaçu de Furnas Centrais Elétricas S.A. e da Eletrosul em Curitiba paralisaram os serviços ontem para pressionar o governo federal a conceder o reajuste salarial de 7,09%, referente a data-base da categoria (maio de 2000 a abril de 2001) e abono por perda de massa, equivalente a um salário. A média salarial da classe é de R$ 1,2 mil. As paralisações fazem parte do movimento nacional dos funcionários de geradoras e transmissoras de energia. O Brasil tem cerca de 60 mil eletrecitários (30 mil estaduais e 30 mil federais).
Perto de 30 dos 140 funcionários de Furnas permaneceram o dia todo em frente ao portão da empresa, impedindo a entrada de pessoas e veículos. Apenas quatro operadores e o gerente do Departamento de Produção, no Paraná, José Maurício Zaroni, entraram no prédio. Os cinco garantiram a manutenção do sistema, incluindo a transmissão de energia produzida pela usina de Itaipu Binacional, enviada a Tijuco Preto, em Mogi das Cruzes (SP).
O protesto foi um alerta ao governo, que ofereceu anteontem um reajuste de 3% (1% a mais do que a antiga contra-proposta). O sindicato vai participar de uma nova rodada de negociação na quarta-feira, no Rio de Janeiro, cidade sede da Eletrobrás. Caso a reivindicação não seja atendida, os eletrecitários prometem parar por tempo indeterminado a partir da próxima quinta-feira. Já os cerca de 70 funcionários da Eletrosul, em Curitiba, já anunciaram que rejeitam a proposta. A decisão foi tomada ontem durante uma assembléia.
Segundo o diretor do Sindicato dos Eletricitários de Curitiba, Jorge Felipe Carminatti, foi feito um indicativo de paralisação nos dias 7 e 8 de junho. Na ocasião, será feita outra assembléia para decidir quais atividades serão suspensas. Carminatti disse que está sendo estudado o corte de serviços essenciais, como o fornecimento de energia. ‘‘Não queremos radicalizar, mas se a Eletrobrás não apresentar outra proposta, não temos outra alternativa’’, afirmou.
‘‘Como não houve negociação durante o mês inteiro, paralisamos as atividades hoje (ontem)’’, explicou Carminatti. Segundo ele, no ano passado, os funcionários já tinham aceitado um aumento menor do que o reivindicado.
O diretor do sindicato disse que na última década foram extintos 100 mil postos de trabalho no setor elétrico brasileiro. De acordo com ele, o Paraná possuía 600 trabalhadores nessa área em 1990, e agora possui apenas 150.
O presidente do Sindicato dos Eletrecitários de Foz do Iguaçu, Assis Paulo Sepp, criticou ainda a possível privatização de Furnas. Para o sindicalista, a empresa tem um papel fundamental no desenvolvimento do País, evidenciada nesta época de racionamento de energia. (Colaborou Rosana Félix, de Curitiba)

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