São Paulo - Em geral, os ladrões que roubam com o intuito de revender agem de forma diferente dos gatunos por necessidade. Eles planejam o roubo antes e não levam comida, mas produtos caros, que, além de lucrativos, são fáceis de serem passados adiante. A frequência de roubo é alta, outro sinal de profissionalização. Quase metade deles faz um ou dois furtos por semana e 17% vão de três a quatro vezes por semana.
Segundo a pesquisa, poucos são os infratores que têm contato com os receptadores. Menos ainda são os que vendem diretamente para eles. ''Eles não sabem ou não quiseram definir exatamente que tipo de pessoa são'', diz Amaral.
Boa parte dos entrevistados na pesquisa entra em ação à noite. A maioria prefere lojas grandes. A ação, muitas vezes, é planejada. Os larápios entram no supermercado com a encomenda na cabeça. Alguns levam mais de quatro objetos de uma vez só. Quanto mais produtos, mais profissional é o furto.
Eles tentam agir naturalmente, como se fossem consumidores comuns. Para não dar bandeira, fazem questão de andar bem vestidos. ''Eu passo no caixa, pago algumas coisas baratas e saio calmamente'', diz uma jovem infratora. ''Tem sempre uma garota do lado de fora me esperando. Às vezes descarrego a mercadoria e volto para a loja para pegar mais coisas. É uma máfia. Nós tiramos até R$ 300 por dia.''
Essa jovem usa a técnica da mochila cheia de papel, que não desperta suspeita por estar sempre com volume. Os gatunos usam roupas largas e escondem os produtos nos bolsos da calça, na cintura, na jaqueta, na manga do casaco e até ''colado'' nas axilas.

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