A norte-americana Enron, uma das maiores empresas de gás natural e energia elétrica do mundo, ganhou ontem o leilão de privatização da distribuidora paulista Elektro, com ágio recorde de 98,9% e preço de R$ 1,479 bilhão. A Elektro é a distribuidora de energia elétrica da Cesp (Companhia Energética de São Paulo) e tem 1,5 milhão de clientes no Litoral, Sul, e Noroeste do Estado.
O preço mínimo de 63,99% das ações ordinárias colocadas à venda pelo Estado estava fixado em R$ 743,6 milhões. As ações ordinárias dão direito a voto e a propriedade da maioria delas define o controle da empresa. A Elektro é a primeira distribuidora de energia elétrica a ser comprada pela Enron no Brasil. A companhia já tem negócios na área de gás no País. O ágio de 98,9% foi o maior já pago na privatização do setor elétrico brasileiro. O recorde anterior era o da venda da Energipe, em dezembro de 97: 96,06%. O leilão foi realizado às 9h na Bolsa de Valores de São Paulo.
A oferta da Enron superou em R$ 264 milhões a da EDP (Eletricidade de Portugal), que ofereceu R$ 1,215 bilhão. A CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz) deu lance de R$ 963,3 milhões. Em seguida, vieram a norte-americana GPU (R$ 874,2 milhões) e a Escelsa (R$ 854,5 milhões). O gerente da Enron para a América Latina, Diomedes Christodoulou, disse que a empresa fez um bom negócio. ‘‘Nós consideramos uma grande aquisição, que complementa nossa participação no setor de energia do Brasil. O Estado de São Paulo, obviamente, festejou o ágio recorde. ‘‘O governo de São Paulo tem uma satisfação de quase 100%’’, brincou o governador em exercício, Geraldo Alckmin.
O secretário do Planejamento, André Franco Montoro Filho, negou que o ágio alto seja indício de que o preço mínimo estava baixo. Segundo ele, a avaliação se baseou em critério e metodologia adotados em todo o mundo. Além dos R$ 1,479 bilhão ofertados ontem, a Enron terá de pagar R$ 41,3 milhões relativos ao deságio de 50% a que os empregados terão direito para comprar 10% de ações ordinárias.Sebastião Moreira/Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Vendido!Os empresários da Eron, Edward Graham, Diomedes Cristodoulou, o diretor da Bolsa de São Paulo, Antônio Roberto da Costa, e o empresário Mitch Taylor batem o martelo após o leilão da ElektroAgência Folha

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