O presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje que ‘‘não vacilarᒒ em tomar medidas adequadas para garantir a estabilidade da moeda, ‘‘independente de qualquer consideração de ordem eleitoral’’. A informação foi transmitida pelo porta-voz do Planalto, Sérgio Amaral. ‘‘O presidente já deu orientação que não haverá vacilação na defesa do Real’’, afirmou Amaral, acrescentando que ‘‘nenhum pacote ecomômico está sendo preparado’’ pela equipe do governo e que ‘‘não está sendo cogitada, nem será cogitada, a desvalorização da moeda’’.
O porta-voz salientou que o presidente está acompanhando a queda das bolsas ‘‘com atenção’’, mas assegurou que esta é uma crise financeira mundial e que o País tem condições de enfrentá-la. Amaral tentou amenizar a crise, declarando que ‘‘a situação do País é de absoluta tranquilidade’’. Amaral garantiu que o presidente não pretende fazer pronunciamento oficial para tranquilizar a população sobre os efeitos da crise no País.
Amaral rechaçou a avaliação de que o País enfrenta o caos. ‘‘Caos é uma palavra muito séria e eu não posso aceitar essa há palavra em hipótese alguma’’, acentuou Amaral. Perguntado se a visão do governo não menosprezava os efeitos da crise sobre a economia brasileira, apresentando, no Planalto, um mundo cor-de-rosa, Amaral declarou: ‘‘Existem dois mundos, o da especulação e o outro, que é o mundo em que há confiança no País e há determinação em proteger a moeda’’.
Amaral garantiu ainda que, em matéria de política econômica, o governo não vai se pautar pelas análises dos jornais. O porta-voz da Presidência classificou como ‘‘precipitada e infundada’’ a decisão da agência norteamericana de classificação de risco Moody’s Investors, que rebaixou os títulos brasileiros. Segundo Amaral, o presidente não é analista de bolsas, mas admitiu que as bolsas de valores podem ter sofrido influência desse rebaixamento na classificação do Brasil.
O porta-voz observou que o presidente está acompanhando a crise, ao mesmo tempo em que dialoga com a equipe econômica. Ontem, Fernando Henrique e o ministro da Fazenda, Pedro Malan, conversaram pelo menos duas vezes por telefone, para avaliar a crise. ‘‘Ao mesmo tempo que o presidente acompanha a crise com atenção, conversa com a equipe econômica, ele também acompanha, com confiança, porque sabe que hoje a inflação está controlada’’, disse.
Amaral acentuou que as medidas econômicas necessárias foram tomadas e que o sistema financeiro está em melhores condições que em outubro do ano passado. O porta-voz reiterou que, ‘‘se necessário, o governo tomará novas medidas para garantir a estabilidade da moeda e manter o valor dos salários’’.Arquivo FolhaFHC: conversas com Malan por telefone, para avaliar a criseAgência Estado

mockup