Eleição no Japão derruba as bolsas
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sexta-feira, 10 de julho de 1998
Agência Folha 
Antecipando-se aos efeitos de uma eventual derrota do partido do primeiro-ministro japonês, Ryutaro Hashimoto, nas eleições parlamentares de amanhã, investidores venderam suas posições em países asiáticos, derrubando o mercado ontem. A Bolsa de Tóquio caiu 2,2%; a de Hong Kong, 2,7%; a da Malásia, 4,3% e a da Coréia do Sul, 3,1%. A cotação das moedas também caiu, embora num ritmo menor. No Brasil, a Bolsa de São Paulo fechou ontem com queda de 0,09% e a Bolsa do Rio, em alta de 1,11%.
No domingo, os eleitores japoneses vão eleger 126 dos 252 parlamentares da Câmara Alta do parlamento japonês, uma espécie de Senado Federal. Embora essa eleição não seja importante, já que formalmente o cargo do primeiro-ministro não está em jogo, será o primeiro teste eleitoral do PLD (Partido Liberal-Democrata), de Hashimoto, depois do agravamento da crise econômica japonesa no último ano.
As pesquisas indicam que o PLD deverá fracassar em seu objetivo de aumentar sua bancada e obter a maioria dos assentos na casa, algo que não consegue desde 1989. Pior: se algumas pesquisas estiverem corretas, o PLD vai perder vagas, aumentando a oposição a Hashimoto dentro de seu próprio partido. Caso isso aconteça, o primeiro-ministro poderá renunciar.
A simples discussão sobre sua renúncia assusta os investidores asiáticos. Alguns deles dizem que o precário equilíbrio alcançado com a intervenção norte-americana no câmbio, no mês passado, poderá ser destruído caso uma crise política se instale na segunda maior economia do mundo. A queda de ontem das moedas e das Bolsas teve como principal razão as incertezas no Japão, embora o agravamento de conflitos trabalhistas tenha complicado ainda mais a crise na Coréia e boatos da quebra de um grande conglomerado tenham complicado ainda mais a situação da Bolsa da Malásia, a que mais desvalorizou-se depois da crise asiática (as ações no país estão 65,2% mais baratas do que estavam há um ano).
Especulou-se ontem que o grupo Renong, um dos maiores conglomerados do país, estaria perto da insolvência. O grupo atua nos setores da construção civil (principalmente obras públicas), engenharia e pedágios.


