Londres – O presidente do BNDES, Eleazar de Carvalho, disse ontem que pretende prestar esclarecimentos ao Congresso Nacional sobre o aporte de capital de R$ 284 milhões que será feito na Globocabo. ‘‘É preciso ter total transparência para explicar essa decisão e também a alternativa a essa decisão’’, disse Carvalho durante entrevista à imprensa na capital britânica. ‘‘Daremos as explicações ao Congresso no momento que for considerado mais conveniente.’’
Carvalho disse que, ‘‘hipoteticamente’’, a participação do BNDES na Globocabo poderá passar dos atuais 4,8% para 12% após o aporte de R$ 1 bilhão, que contará com a participação de vários acionistas. ‘‘Caso nós venhamos capitalizar com uma parcela, converter os debêntures e subscrever as ações, totalizando R$ 284 milhões, a nossa participação iria para 12%.’’ Ele salientou que, se todos os acionistas da Globocabo participarem da operação – ‘‘o que é uma possibilidade, por se tratar de uma oferta pública’’ – o aporte de R$ 1 bilhão seria alocado proporcionalmente para cada acionista.
‘‘Com isso, a nossa participação acionária ficaria a mesma.’’ Ele observou também que o BNDES mantém outra participação residual de 2% pelo fato de a Globocabo participar do Índice Bovespa. ‘‘Mas essa participação será constituída num fundo que será vendido.’’ Ele evitou comentar se outros acionistas da Globocabo não incluídos no aporte de R$ 1 bilhão poderão participar da capitalização.
‘‘Como vai ser uma operação pública, que contará inclusive com a possível participação do mercado internacional, eu não gostaria de induzir outros a fazerem uma avaliação como a nossa.’’ Carvalho ressaltou que a Globocabo ‘‘é uma empresa de cabo e não é uma prestadora de conteúdo, de capital aberto e cotada na bolsa e na Nasdaq’’.

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