Eldorado, cidade de 15 mil habitantes no Mato Grosso do Sul (MS) está superando o trauma da aftosa. O frigorífico de Eldorado voltou a funcionar no início deste mês, depois de ficar parado desde o surgimento da aftosa, em outubro do ano passado. O laticínio também voltou a produzir e contratou 20 pessoas.
Pelo menos 200 criadores de gado de leite estão escoando sua produção, que antes era perdida. O movimento do comércio, que tinha caído mais de 50%, segundo a Associação Comercial e Industrial, começa a voltar ao ritmo.
O frigorífico está abatendo 300 bois por dia - quase 50% do movimento anterior - e a chegada dos caminhões boiadeiros animou Maria Eunice Ferreira Pires, dona de uma churrascaria na BR. Ela já pensa em ampliar o salão de rodízio de carnes. ''Está sempre cheio.''
O borracheiro Francisco Jordão não tem mais tempo para um cochilo na rede. O vereador José Martins (PDT) disse que a cidade tirou lições da crise. ''Sofremos muito, mas aprendemos que é preciso diversificar.'' Ele conta que a prefeitura se empenhou para trazer uma usina de açúcar e álcool. A usina começa a funcionar em 2008 e vai gerar de 800 a 1.000 empregos.
''Fizemos um seminário com os produtores e todo mundo se animou para plantar.'' Em Iguatemi, cidade vizinha, também atingida pela aftosa - os dois frigoríficos demitiram 1,5 mil pessoas - o clima é de expectativa com a reabertura do frigorífico União do Iguatemi, antigo Bon Charque.
Segundo Claudinei José de Oliveira, assessor da prefeitura, na próxima semana serão recontratados os primeiros 100 empregados. Inicialmente, a unidade vai produzir charque, mas o objetivo é retomar as exportações de carne. O frigorífico Iguatemi também voltou a trabalhar no serviço de abate para um grupo de pecuaristas.
O controle sanitário na região continua rigoroso. Patrulhas fixas e volantes do Iagro, o serviço estadual de defesa sanitária animal, fiscalizam o transporte de bovinos e derivados. Na área interditada, que compreende os municípios de Eldorado, Japorã, Mundo Novo e Iguatemi, os caminhões só podem passar lacrados. Segundo Márcio Margatto, do Sindicato Rural de Iguatemi, tanto rigor não é mais necessário.
Vezozzo - A Fazenda Vezozzo, em Eldorado, onde foi detectado o primeiro foco de aftosa de Mato Grosso do Sul, em outubro, voltará a receber gado no próximo mês. O local ainda guarda as marcas do sacrifício que a doença impôs a 580 bois. As três grandes valas abertas para receber as carcaças dos animais abatidos estão cobertas de mato, numa área cercada.
A família, com 50 anos de tradição na pecuária, não terá gado próprio na fazenda por enquanto. ''Decidimos arrendar parte das terras para outro criador'', disse Luis Henrique Vezozzo. O repovoamento será feito à medida que as áreas forem liberadas.
Terceirizar parte da fazenda é uma forma de obter receita para pagar dívidas decorrentes da perda do rebanho. ''A indenização paga pelo governo não cobriu o valor real dos animais.''
Durante a interdição, foi cultivado milho numa parte da fazenda, mas a lavoura também foi afetada pelos baixos preços. Segundo Vezozzo, a família não vai desistir da atividade. ''Temos crédito e um bom nome. Em breve, a gente supera tudo e volta.''

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