Com fama de ‘gastadeiras’, a imagem das mulheres cheias de sacolas de compras e com perfil consumista desenfreado está com os dias contados. Além da maior participação na renda familiar, quando não a principal, agora, elas estão poupando mais. Seja para um objetivo pontual ou segurança financeira, uma pesquisa do Data Popular, divulgada na semana passada, mostrou que 35% das entrevistadas guardam dinheiro. Quinze mil mulheres em todo País participaram da pesquisa, realizada no primeiro trimestre deste ano.
  Das que declararam poupar, 40,7% economiza para um objetivo pessoal, tal como uma cirurgia plástica, um curso ou uma viagem. Já outros 39,6% das entrevistadas disseram guardar dinheiro para segurança pessoal e financeira, isto é, não querem estar desprevenidas se acontecer algum imprevisto. Apenas 16,3% revelou que poupa para realizar compras à vista e 3,4% para realizar investimentos lucrativos. As mulheres também estão mais otimistas com relação às perspectivas de aumento da renda em um ano: 61,9% acredita que sua renda irá aumentar, contra 3,6% das pessimistas.
  Outro quesito que leva a crer que as mulheres estão mais comedidas nos gastos é com relação a um possível aumento da renda. Questionadas no que fariam caso a renda aumentasse em R$ 200,00, 66% revelou que pouparia. Do restante, 23% disse que compraria mais calçados e roupas, 19% entraria em uma academia e 8% iria mais ao salão. A pesquisa mostrou ainda que as áreas de maior consumo são educação, beleza e produtos de informática. Somente este ano, a perspectiva é de que as mulheres movimentem R$ 738 bilhões no Brasil. Número que não deve ser difícil de ser alcançado, já que 84,6 milhões de cartões de crédito estão nas mãos das brasileiras.

Avaliação
  Segundo o sócio-diretor do Data Popular, Wagner Sarnelli, a pesquisa mostra que as mulheres não estão mais em busca de itens de consumo primário, pois estes já foram adquiridos, como a moradia, o automóvel, eletrônicos. ‘‘Agora elas querem viajar para lugares diferentes, estudar em outro país. Por outro lado, há aquelas que não querem ser pegas de surpresa e guardam o dinheiro’’, avalia, acrescentando que o índice de 3,4% que diz realizar investimentos lucrativos deve ser visto com outros olhos pelas entidades e instituições financeiras. ‘‘Esse público ainda não foi sensibilizado como poderia.’’
  Economista e professora da Isae/FGV, Fátima Toledo, que é doutora em Antropologia do Consumo pela Universidade de São Paulo (USP), pontua que dentro do índice das mulheres que poupam há um perfil mais conservador. ‘‘Tanto aquelas que economizam para um objetivo, quanto para a segurança, são mulheres que não querem correr riscos. Traçam, portanto, metas a curto e médio prazo’’, afirma. As que estão no grupo do objetivo pessoal, ela classifica como mulheres modernas, independentes e ativas. Já o outro grupo, provavelmente são mães com responsabilidades familiares.
  Esse perfil responderia ao baixo índice de 3,4% que diz realizar investimentos lucrativos. ‘‘As mulheres estão poupando, mas não se preocupam em ganhar mais dinheiro, ou seja, multiplicá-lo. O que elas querem é não perder’’, acrescenta. Um ponto positivo que a economista destaca é a postura de poupadora frente a um possível aumento de renda. ‘‘O índice de 66% que afirmou que pouparia caso ganhasse mais no salário ajuda a contrapor o estereótipo da mulher consumista e compulsiva. Mostra ainda que elas estão planejando mais.’’

Imagem ilustrativa da imagem Elas também sabem poupar
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