Rio de Janeiro Um dos principais investidores do setor de energia nos últimos anos, a americana El Paso iniciou ontem a segunda reestruturação de suas atividades no País no período de 18 meses. Desta vez, foram demitidos cerca de 20 funcionários, incluindo três vice-presidentes, e há rumores no mercado de que a empresa vai abandonar as atividades no setor elétrico, focando suas operações na exploração e produção de petróleo e gás natural. Na primeira reestruturação, há um ano, o corte atingiu 40 empregados.
Oficialmente, a El Paso confirma apenas as demissões e a decisão de focar suas operações no segmento de petróleo e gás. Segundo a assessoria de imprensa da companhia, a reestruturação brasileira segue estratégia semelhante à adotada pela matriz, em Houston, Texas, que a exemplo da também texana Enron foi acusada de fraudar números de seu balanço. A multinacional chegou ao Brasil em 1997 e já investiu cerca de US$ 2,2 bilhões, principalmente em térmicas nas regiões Norte e Sudeste. Há três anos, inaugurou em sua sede do Rio uma moderna mesa de operações para atuar no então incipiente mercado de comercialização de energia elétrica.
A mesa, tida como a mais moderna da América Latina, quase não chegou a ser usada: o mercado livre de energia foi reduzido a praticamente zero com o novo modelo do setor. Os investimentos em térmicas, por sua vez, enfrentam os mais diversos problemas. No Norte, onde a empresa é responsável por 60% do fornecimento de Manaus, a estatal Eletrobrás bateu de frente com a El Paso, pedindo redução dos preços de venda da energia, e ainda não renovou os contratos. No Paraná, onde a multinacional planejava investimentos de US$ 340 milhões na construção de uma térmica, o governador Roberto Requião simplesmente cancelou o contrato.
Ontem, a companhia informou que continua negociando soluções para os dois impasses de maneira amigável com a Eletrobrás e na Justiça com Requião. A assessoria de imprensa da El Paso informou ainda que não há projetos de venda de ativos neste momento. Em recentes apresentações a investidores internacionais, executivos da matriz norte-americana vêm informando que os ativos que não tenham integração com outros negócios da companhia devem ser vendidos, dentro do profundo processo de redução de gastos e revisão das atividades. O Brasil, porém, figura ao lado dos Estados Unidos como prioridade no segmento de produção de petróleo e gás da companhia. Neste setor, a El Paso já realizou duas descobertas de gás, uma na Bahia e outra na Bacia de Santos.

mockup