El Ni¤o dá o tom do mercado da soja
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terça-feira, 17 de fevereiro de 1998
Oswaldo Petrin 
Dorico da SilvaVisão de mercadoMike: Mercado tem que considerar estoques finais e possível reversão do El Ni¤o O fenômeno El Ni¤o é variável determinante na variação do mercado mundial da soja. O produtor deve acompanhar a performance do fenômeno. Se houver uma reversão do quadro atual, expressa através do esfriamento das águas do Oceano, é certo que o mercado vai reagir com alta dos preços, pois a safra norte-americana, neste caso, estará sob ameaça. Se for mantido o comportamento atual - altas temperaturas e chuvas - não haverá reflexo no mercado.
Além de ficar atento aos indicadores convencionais de mercado, o produtor, este ano, também deve monitorar o fenômeno meteorológico. Esta é apenas uma das muitas dicas de mercado, transmitidas ontem, em Londrina, pelo especialista Mike Blackford, Commercial Account Maneger, da Farmers Commodities Corporation, primeiro lugar em volume de milho e terceiro lugar em volume de soja comercializados na Bolsa de Chicago.
À medida que Mike ia apresentando números e eventos do mercado, o empresário e também analista, Tony Silva, diretor da Granoforte, de Cascavel, chamava a atenção e estimulava perguntas para elucidar bem as tendências. O mercado das principais commodities agrícolas mostra pelo menos duas situações bem nítidas. O milho, numa condição bastante favorável para o vendedor, marcada pelo aumento do consumo e queda na produção e estoques, e a soja num cenário de equilíbrio entre oferta e demanda, só desequilibrada por fator extramercado como a reversão do El Ni¤o.
Dorico da SilvaAlcântara, do Banco do Brasil: CPR é a opção
Um fator preponderante no mercado é o nível dos estoques finais. No caso do milho, os estoques finais este ano caem cerca de 19 milhões de toneladas enquanto a demanda mostra várias vertentes de crescimento. Por todos os ângulos que se analisa a demanda de milho projeta-se firme expansão, o que garante condições de preços ascendentes para o produtor brasileiro.
Com relação à soja, o que deve pesar no mercado é uma produção recorde nos Estados Unidos de 74 milhões de toneladas, 10 milhões sobre a safra anterior. Os estoques finais subiram 6 milhões de toneladas e a relação entre estoque e consumo aponta um numerador significativo sob o ponto de vista de equilíbrio entre oferta e procura: 1,13 o que significa dizer que só há 0,13% de crescimento do consumo. Todos os dados sugerem uma condição confortável para o comprador, segundo Mike Blackford.
O técnico norte-americano aproveitou para fazer um reparo nas previsões feitas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) que, segundo ele, está superestimando os números da exportação. Segundo o órgão, o EUA devem exportar 27 milhões de toneladas. Mas isto é impossível, segundo Mike, porque as estatísticas oficiais estão indicando um déficit mundial menor, de 24 milhões de toneladas.
Nas projeções de Mike Blackford, os preços da soja, em condições normais, só mudam em maio. Até lá devem variar entre US$ 6,10 e US$ 6,90/bushel. A ascensão desses preços só ocorrerá em casos muito rápidos, chegando até US$ 7,10/bushel. Vai prevalecer uma situação semelhante a de 1994 em que os preços médios internacionais foram: US$ 241/tonelada, em fevereiro; US$ 244/t em março; US$ 232/t, em abril; US$ 247/t, em junho; US$ 230/t, em julho; US$ 209/t, em agosto e US$ 211 t/setembro.
Mike falou sobre a expansão da soja transgênica (Round up - ready) que já ocupa 50% da área nos Estados Unidos; a situação da China como mercado potencial e a crise asiática. Sobre a China apresentou dados sobre plantéis de suínos, ovinos e bovinos, consumidores de farelo de soja. E mostrou como dados sobre ganho de produtividade nos Estados Unidos. Depois respondeu a várias perguntas de empresários que compareceram ao recinto José Garcia Molina. Pelo menos um deles quis saber sobre a situação do produtor norte-americano e seu grau de competitividade no mercado externo.
Outra palestra realizada ontem em Londrina foi sobre Cédula de Produto Rural (CPR), pelo técnico Edilson Martins Alcântara do Banco do Brasil. Ele explicou como os agricultores podem utilizar esta operação para comercializar soja ou milho. Observou que uma das vantagens é que o preço é determinado pelo mercado com base nas bolsas. Há um novo conceito nesta fonte de recursos, informou. O governo corrigiu uma distorção que intrigava os produtores, que era o que chamou de sopinha de letras criando critérios distintos para corrigir compromissos e preços. O produtor prefere a equivalência produto, reconheceu.


