El Niño já afeta mercado agrícola
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de julho de 1997
Mariângela Heredia Agência Estado BRASÍLIA 
A volta do fenômeno climático conhecido como El Niño já provoca especulações
no mercado de commodities, principalmente em relação ao impacto que ele poderá causar na região de produção
do meio-oeste norte-americano, geralmente afetado pela seca. Segundo o chefe do departamento técnico da
Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antônio Donizeti Beraldo, o que mais se especula no momento é
se o El Niño provocará perturbações suficientes nos padrões climáticos norte-
americanos para prejudicar a safra de grãos. A resposta dos especialistas é sempre positiva.
Da última vez que o fenômeno ocorreu com forte intensidade
(1986/87), os principais grãos sofreram acentuada elevação de preços. A seca afetou a produção
de milho e soja nos Estados Unidos durante a crítica estação de plantio e desenvolvimento vegetativo, de junho a
agosto, observou. O preço da soja chegou a atingir US$ 329 por tonelada em setembro de 1983,
uma alta de quase 50% em relação aos preços históricos. E o preço do milho também tende a explodir, na ocasião
chegou a registrar alta de até 40%.
Choque de preços Na avaliação do técnico
da CNA, o cenário da próxima safra mundial é propício para um novo choque de preços agrícolas na
eventualidade de perturbações climáticas, principalmente no caso da soja e do milho, cujos estoques mundiais de
passagem para a próxima safra 97/98 (16,7 milhões de toneladas, no caso da soja) são os menores da última
década.
O El Niño se caracteriza pelo
aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico e, segundo os meteorologistas, pode representar mudanças
dramáticas na atmosfera, provocando seca em algumas regiões e inundações em outras.
Seca no Brasil No Brasil, o Instituto
Nacional de Meteorologia (INMET) prevê que o El Niño poderá provocar forte
seca no Nordeste e chuvas, com enchentes, no Sul do País. Para as regiões Sudeste e Centro-Oeste a previsão é de
períodos irregulares de chuvas.
Segundo Donizeti Beraldo, especialistas em climatologia prevêem
que o fenômeno detectado este ano poderá ter intensidade semelhante à de 1986/87, sendo classificado de
moderado a forte. Apesar de ressaltar que o fato de o El Niño estar ocorrendo não
significa necessariamente que haverá seca no cinturão verde norte-americano _ pois em 92 não houve
perturbações climáticas excessivas _, Beraldo lembra que o Brasil poderá ser beneficiado caso as mudanças
aconteçam.
A elevação expressiva dos preços das principais
commodities no mercado internacional, aliada à perspectiva de aumento da produção de soja para a próxima
safra, aumentaria ainda mais a contribuição da agricultura para minimizar o desequilíbrio das contas
externas, avaliou.


