'El Ajustazo' une centrais em greve geral na Argentina e agrava a crise
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quinta-feira, 19 de julho de 2001
Agência Estado De Buenos Aires 
O governo do presidente Fernando de la Rúa sofreu ontem a sexta greve geral desde o início de seu mandato há um ano e meio. A greve teve ampla adesão, e foi convocada pelas três centrais sindicais argentinas: a Confederação Geral do Trabalho (CGT) oficial, a CGT dissidente, e a Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA). Os sindicalistas paralisaram o país em protesto contra o ajuste fiscal do governo federal, que implicará na redução em 13% dos salários dos funcionários públicos e das aposentadorias acima de US$ 300.
Esta foi a primeira vez que as duas CGTs se uniram em uma greve geral desde seu racha em março do ano passado. Além disso, foi a primeira vez que contaram com o apoio da CTA, central que se separou do sindicalismo convencional a meados dos anos 90. Até o momento, cada central havia feito greves separadamente. Foi necessário El Ajustazo (O ajustaço) para uni-las outra vez.
Cálculos de diversas fontes sindicais e independentes sustentaram que a paralisação atingiu entre 80% e 90% dos trabalhadores nas grandes cidades. Em Buenos Aires, não houve marchas de protesto, como nas greves anteriores. No entanto, foram registrados incidentes na região metropolitana. De manhã, diversos ônibus e trens que pretenderam circular foram apedrejados e incendiados. Militantes dos sindicatos de ferroviários bloquearam os trilhos com pneus em chamas. Um taxi foi atingido por um coquetel molotov, mas o motoristas conseguiu escapar somente com o cabelo chamuscado.
O ex-presidente Raúl Alfonsín afirmou que o governo De la Rúa poderia ter evitado a greve, se houvesse dialogado previamente sobre o pacote de ajuste, em vez de implementá-lo diretamente. De la Rúa está batendo recordes de greves em toda a história argentina.
O porta-voz do presidente De la Rúa, Juan Pablo Baylac, afirmou que a sociedade argentina está farta de greves. Baylac pediu uma trégua política e social que possibilite a recuperação da economia. O secretário-geral da presidência, Nicolás Gallo, sustentou que a trégua deveria durar 200 dias.
Na véspera da greve, o governo contra-atacou as lideranças sindicais divulgando seus elevados salários. O porta-voz do presidente De la Rúa, Juan Pablo Baylac, afirmou que o salário de Moyano é de US$ 5,9 mil. O governo afirma que possui dados que indicam que em média, 28 mil líderes sindicais em todo o país recebem salários entre US$ 3,5 mil e US$ 12 mil.
Rejeição ao planoO ministro argentino de Economia, Domingo Cavallo, mudou sua estratégia de pressão por uma de conciliação para conseguir, no Congresso, o apoio ao plano de déficit zero e ao duríssimo ajuste fiscal anunciado na semana passada. O ministro disse que está disposto a negociar a base de corte das aposentadirias de 300 pesos (US$ 300) e aumentá-la para 500 pesos (US$ 500), desde que os políticos apresentem propostas ou mecanismos que não prejudiquem a meta de equilíbrio fiscal.
Até ontem à noite, os deputados da Aliança (base de sustentação do governo formada pela União Cívica Radical e Frepaso) e o governo não haviam chegado a acordo algum sobre a proposta de ampliar a base de redução dos sal ários dos aposentados.


