Vai aí um cafezinho colombiano ou brasileiro? Se ficou na dúvida, opte pelo café brasileiro, de preferência produzido em Minas Gerais ou Paraná. Sem querer desprestigiar o café colombiano, nossos cafés foram considerados os melhores para um grupo de degustadores que provou cinco tipos de cafés finos no Centro do Comércio do Café de Londrina, a pedido da Folha. Foram degustados dois tipos de cafés paranaenses, dois mineiros e o tradicional colombiano da marca Juan Valdez, considerado um café de alta qualidade no mundo todo.
  Sem saber a procedência de nenhum deles, os desgustadores analisaram as características sensoriais (aroma, corpo, doçura, acidez e sabor) de cada um dos cafés servido durante a prova. Resultado: o colombiano perdeu para o mineiro e o paranaense em sabor, acidez, doçura e corpo, mas subiu na pontuação no item aroma, chegando a quatro pontos - na escala de um a cinco. Os cafés paranaenses e mineiros chegaram a 3 pontos em aroma. O objetivo da análise sensorial é ver se o produto tem todas essas características em equilíbrio.
  Um café que reúne todas essas características em equilíbrio, significa um produto de qualidade. E o segredo para atingir a qualidade envolve toda a cadeia do produto.
  Na prova de degustação, um dos cafés mineiros foi considerado mais suave e adocicado, alcançando maior pontuação (4). Os cafés paranaenses atingiram notas entre 3 e 4 na maioria das características analisadas. Na média, o colombiano ficou com nota 2.
   ‘‘Achei o aroma agradável (do café colombiano) mas na hora que a gente prova, ele não é tão adocicado como os nossos. Talvez haja excesso de torra’’, afirmou a pesquisadora do Iapar, Brígida Scholz, que participou da degustação. Ela escolheu o café como tema do doutorado que está fazendo na Universidade Estadual de Londrina (UEL) em Ciências de Alimentos. Segundo Brígida, a intensidade do amargor de alguns cafés varia de acordo com o blend, torra e moagem. Já a doçura está relacionada ao ponto da maturação. ‘‘Para ser perfeito, o café tem que ser colhido maduro’’, observa Brígida.
  O corretor e degustador Marcos Baccetti, que também provou o café, salientou que um dos produtos paranaenses analisados possui aroma e doçura intensos, a acidez um pouco mais que a desejada, porém é um café com corpo e bom sabor. ‘‘Um café tem que ter aroma adocicado, sabor intenso. Essas características são encontradas na bebida dura, que tenha corpo‘‘.
  O corpo enriquece a bebida do café. Dependendo de sua característica, o café pode ter corpo leve a intenso.‘‘Um café com corpo é aquele que enche a boca na hora que você toma e não deixa gosto amargo, ao contrário, deixa uma sensação agradável. Nesse aspecto, o Paraná é produtor nato da bebida dura. Não existe café gourmet sem ser encorpado e não existe corpo sem ser com a bebida dura’’, enfatiza Baccetti. Para ele, o café colombiano é muito ‘‘aromático’’, porém com gosto ‘‘horrível’’.
  Outros três desgutadores também participaram da prova -Carlos Amaral, Carlos Mono e a mestranda Mery Rendón, que é formada em engenharia de Alimentos no Peru e está fazendo mestrado em Ciências de Alimentos na UEL.

mockup