Egito embarga carga do Paraná
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Suzana Inhesta<BR> Agência Estado 
São Paulo - Pouco mais de uma semana após a confirmação da presença do agente patogênico da doença da vaca louca na fêmea bovina que morreu em dezembro de 2010 no Paraná, a carne bovina brasileira está suspensa em seis países - Japão, África do Sul, Arábia Saudita, China, Egito, Coreia do Sul. No caso do Egito, a restrição é somente para o produto do Paraná.
Por ocasião dos primeiros anúncios de suspensão, especialistas consideravam a reação exagerada e apontavam a possibilidade de o episódio servir a barganhas para melhores condições comerciais, principalmente preços. Agora, porém, veem por trás do "efeito dominó" uma preocupação com o sistema sanitário do País.
"O que deve estar passando na cabeça do importador são algumas questões que colocam em dúvida a credibilidade do sistema sanitário brasileiro: o motivo da demora da confirmação do agente e de sua comunicação, por exemplo", disse o analista da MB Agro César de Castro Alves.
Porém, tanto o Ministério da Agricultura quanto a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) explicaram, em comunicados recentes, que o prazo de dois anos ficou dentro do previsto em procedimentos de casos como este. Ainda segundo Alves, a falta de clareza das autoridades nacionais no processo é o que deve estar incomodando os importadores. "Poderia ser pior e o País precisa ter um contato maior com os principais mercados, como Rússia, Egito, Venezuela, Hong Kong", completou.
Outros especialistas citaram que as últimas declarações do Mapa e da presidente Dilma Rousseff também poderiam estar causando um certo desconforto. Na última segunda-feira, o ministério reafirmou que o serviço sanitário russo, o Rosselkznador, concordou em levantar o embargo imposto há 18 meses às carnes de Mato Grosso, Paraná e Mato Grosso. O que falta é a liberação dos frigoríficos que ainda não podem vender ao país, o que ocorrerá após a análise de relatórios técnicos de cada planta pelos veterinários russos. Na semana passada, em entrevista à imprensa em Moscou, a presidente considerou um equívoco o anúncio da suspensão do embargo russo pelo Mapa.
Paraná
Para o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), o veterinário Inácio Afonso Kroetz, a atitude do Egito é de total incoerência técnica. "Esta é uma enfermidade que quando requer banimento, não pode ser regionalizada. E considerando o nosso caso específico, não há justificativa nenhuma para isso", declarou. Neste sentido, como dito pelos especialistas, Kroetz acredita que algumas nações estão utilizando do episódio para fazer um jogo de mercado, com o intuito de renegociar contratos, por exemplo. "Esta doença tem um componente político, comercial e midiático muito forte."
Ele salientou ainda que cada país tem o compromisso com seu consumidor, mas a atitude do Egito de tratar o assunto de forma regional mostra que eles vão continuar comprando a carne do restante do País normalmente. "Não são grandes importadores, e ainda assim tratam o assunto de forma absurda". (Colaborou Victor Lopes/Reportagem Local)


