Eficiência depende de armazenamento
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de outubro de 2005
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
A vacina brasileira contra a febre aftosa é considerada uma das mais potentes do mundo. No entanto, o armazenamento incorreto da dose reduz a sua eficiência. A informação é do médico veterinário Amauri Alfieri, professor de Virologia da UEL e coordenador do programa de pós-graduação em Ciência Animal (mestrado e doutorado) da instituição. Segundo ele, a qualificação da vacina nacional é conferida pela Panaftosa, órgão internacional que gere a questão na América Latina.
Para a aprovação de um lote de vacina, são feitos rígidos controles de qualidade, estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Inicialmente, há testes laboratoriais in vitro no próprio laboratório fabricante da vacina. Depois, as doses são enviadas ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que repete os testes in vitro e ainda realiza testes in vivo, nos animais. ''A vacina contra aftosa tem o maior controle de qualidade do Brasil, em vacinas'', afirma Alfieri.
Os testes são feitos em gado com idade entre quatro e seis meses, que é o preconizado pela sanidade animal. Primeiramente, o gado é imunizado com apenas uma dose e 30 dias depois, é feito um ''desafio''. São aplicadas doses altas do vírus vivo na língua do animal. Após esse período, são observadas lesões na língua e no casco e, se 75% dos animais não apresentarem qualquer lesão, os lotes das vacinas são aprovados e liberados para comercialização.
''Em 2004, apenas 1,5% dos lotes enviados ao Mapa forem reprovados'', diz o professor. Segundo ele, se aplicada corretamente e nas condições ideais de armazenamento, a vacina tem uma eficiência superior a 90% no campo. No entanto, a temperatura ideal para armazenamento é de 4ºC, mas pode haver uma variação de 2ºC a 8ºC. O problema é que podem ocorrer várias quebras de temperatura na ''cadeia do frio'' (transporte, armazenamento, comercialização e aplicação).
''Entre o controle de qualidade feito pelos laboratórios e a vacina aplicada no boi pode haver muitas diferenças. Se forem seguidos todos esses passos de armazenamento e temperatura, a vacina é muito boa'', afirma Alfieri. No mundo, há sete vírus que causam febre aftosa. Deste total, três se manifestam na América do Sul: O, A e C. ''O foco registrado no Mato Grosso do Sul foi causado pelo vírus tipo O, casualmente o mesmo presente na vacina'', informa. A vacina produzida no Brasil é trivalente e contém os três vírus que circulam pela América do Sul. No entanto ainda há muitas variações destes três vírus.


