Efeitos começam a ser sentidos
Os empresários já começam a sentir os efeitos do ajuste nos seus negócios. A proprietária de duas lojas da Inch of Gold, Maria Alice Zattar, comercializa correntes banhadas a ouro que são vendidas por centímetro e permitem criar colares, pulseiras, tornozeleiras, gargantilhas e cintos personalizados.
Ela contou que o efeito do aumento da carga tributária é sentido na diminuição de vendas. Maria Alice prevê que ocorram novos aumentos de impostos até o final do ano. Para tentar aumentar as vendas ela começou a comercializar os produtos através de e-commerce há cerca de um mês. Hoje ela tem oito funcionários, mas acredita que terá que cortar dois. A loja vende correntes a partir de R$ 1,90 o centímetro. "Estamos adotando medidas preventivas para poder passar pelo ajuste fiscal e pela crise econômica", contou.
O presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Antonio Espolador Neto, disse que uma das maiores preocupações dos empresários do setor é com aumento de tributos que já está gerando elevação de preços. "O comércio não tem margem de lucro para absorver o aumento de impostos e isso reflete nos preços dos produtos". E, com o aumento do desemprego, o consumo cai e isso reflete nas empresas, segundo ele. Espolador disse que já iniciaram algumas demissões no comércio e agora as maiores redes também começaram a fazer cortes.
Ele analisou que neste segundo semestre e nos primeiros seis meses de 2016, os empresários terão que ser criativos, evitar fazer dívidas, ter equipe bem treinada e com produtos de qualidade. Segundo ele, o setor já amarga uma queda de 10% nas vendas no primeiro semestre no Estado.
Para o presidente da ACP, o governo federal teria que diminuir os custos fixos dele mesmo, cortar gastos com pessoal e fazer as reformas trabalhista, fiscal e tributária, além de estimular a indústria e o comércio.
"O comércio já vem com queda de vendas há bastante tempo, mas em maio e junho começaram as demissões", disse o presidente da Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio-PR), Darci Piana. Segundo ele, o setor tem sido prejudicado principalmente pelo aumento dos juros, da energia elétrica, dos combustíveis e também pelas restrições para a concessão de crédito. Ele lembrou que uma pesquisa realizada pela Fecomércio apontou que apenas 33% dos empresários têm expectativa de que ocorram vendas razoáveis no segundo semestre. No primeiro semestre este percentual estava em 48%.
O economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, disse que o pacote de medidas do governo federal tem impacto na redução da atividade econômica. Ele lembrou que só com os incentivos fiscais que foram retirados já está ocorrendo aumento da carga tributária.
Segundo ele, o aumento de juros afeta a indústria porque o crédito fica mais caro, além de reduzir o consumo e a produção. "É um ajuste necessário, mas falta a redução das despesas do setor público e muito pouco tem sido feito nesse sentido. Num momento de crise, teria que ocorrer redução de impostos para aumentar a atividade econômica", afirmou. (A.B.)





