Efeito pode demorar semanas ou até meses para aparecer
Agência Estado-AP
De Nova York
As preocupações com o bug do ano 2000 não desaparecerão neste final de semana, mesmo que nada aconteça de errado. Provavelmente as falhas só aparecerão algumas semanas, ou mesmo meses depois do Ano Novo. E algumas delas poderão demorar até 2001 e ainda além.
O Gartner Group, empresa de consultoria de tecnologia, estima que apenas 10% de todas as falhas do bug, conhecido também pela sigla Y2K, ocorrerão durante as duas primeiras semanas de janeiro de 2000.
Apesar disso, uma pesquisa feita pela Associated Press no início de dezembro constatou que apenas 16% dos entrevistados acham que os problemas do bug durarão mais de duas semanas. E o número dos que pensam que os problemas ficarão confinados a uns poucos dias aumentou de 22% para 36%.
A maioria dos planejadores do Y2K está consciente de que o dia 1º de janeiro não é nenhuma data mágica, mas receia que um final de semana tranquilo deixe o público com uma falsa sensação de segurança.
O foco foi exageradamente concentrado no final de semana do Ano Novo, disse Bruce McConnell, diretor do International Y2K Cooperation Center. Se vocês acham que o único momento de se preocupar com o bug é 1º de janeiro, então vocês estão subestimando o problema.
Além de problemas que só aparecerão mais tarde durante o ano, as falhas que atacam no dia 1º de janeiro poderão ficar inicialmente despercebidas, mesmo depois que os empregados voltarem ao trabalho e religarem seus computadores. É possível que os efeitos só sejam sentidos plenamente quando falhas menores forem se agravando e perturbando as redes de abastecimento das empresas. Deverão passar várias semanas antes que se possa ter uma boa idéia do tamanho desse evento do Y2K, disse McConnell.
Ron Weikers, advogado de Filadélfia, especializado em processos relacionados com o bug, aconselhou as companhias a não proclamarem vitória imediatamente. Declarações de vitória poderiam voltar para atormentá-los. Apesar disso, o final de semana do Ano Novo será o período culminante para os problemas do bug e a maioria das grandes companhias e das agências do governo estarão observando atentamente seus sistemas.
John Koskinen, principal assessor do presidente Clinton para problemas do bug, chefiará um centro de crise de US$ 50 milhões, construído para este final de semana. Se houver algum problema, envolvendo chips embutidos que controlam usinas de energia e outros importantes equipamentos, mais provavelmente estes problemas estourarão por volta de 1º de janeiro, disse Koskinen.
Além disso, a maioria das falhas de computador provavelemente será administrativa, causando inconvenientes, como faturamento incorreto, mas nenhuma catástrofe. E serão mais administráveis porque não estourarão todos no mesmo instante.
O governo identificou três períodos cruciais de tempo:
- 31 de dezembro, quando o resto do mundo já estiver celebrando o Ano Novo.
- 1º de Janeiro, quando o Ano Novo chegar nos Estados Unidos.
- 3 de janeiro, primeiro dia de trabalho normal, quando os sistemas experimentarem o máximo de uso.
O grupo de Koskinen examinará também a possibilidade de problemas no dia 29 de fevereiro, porque alguns computadores poderão não reconhecer 2000 como um ano bissexto. Mesmo 31 de dezembro de 2000 poderia ser problemático porque alguns computadores poderão não estar esperando 366 dias no próximo ano.





