Efeito Japão derruba as bolsas no Brasil
As bolsas brasileiras despencaram ontem, em compasso com as demais praças internacionais, arrastadas pelo recrudescimento da crise financeira no Japão. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou o pregão em baixa de 2,87% e a Bolsa do Rio caiu 3,94%.
O iene fraco fez com que a maioria das bolsas do Leste e Sudeste asiáticos fechasse em baixa. A maior queda foi a da Bolsa da Coréia (-8,09%), seguida da Malásia (-2,20%), Indonésia (-0,77%), Taiwan (-1,30%) e Tailândia (-1,60%), segundo a agência de notícias Dow Jones. Na Europa, a Bolsa de Londres caiu 1,41% e a de Paris, -2,19%. Em Nova York, o índice Dow Jones oscilou muito e fechou em alta de 23 pontos. Mas, na quinta-feira, o Dow havia despencado 159 pontos e o mercado doméstico teve que se ajustar à baixa.
A bolsa paulista abriu em baixa de 0,23%, mas logo ampliou muito o mau resultado, operando a maior parte da manhã com índice negativo superior aos 3%. Às 13h23, a queda chegava a 5,33%. Esperávamos um cenário menos ruim na abertura. Houve até uma pequena movimentação de compra no início do pregão, com o mercado apostando na alta sinalizada pelo Dow Jones, que chegou a operar com 20 pontos positivos, disse um analista ouvido pela Agência Estado. Mas a expectativa logo se reverteu.
Embora ninguém negue que a nova desestabilização dos mercados asiáticos, desta vez puxada pelo Japão, poderá atingir em cheio o Brasil, o clima entre economistas e operadores de mercado é de relativa tranquilidade. Primeiro, porque ninguém é capaz de afirmar com certeza qual a extensão que a nova crise pode atingir. Segundo, porque os investidores brasileiros estão hoje muito menos expostos ao risco, ou seja, estão muito menos comprados em ativos brasileiros como ações.
As posições compradas na Bolsa e nos mercados de juros e câmbio estão pequenas, todo mundo está vendo isso , diz Reinaldo LeGrazie, diretor do Lloyds Bank. A situação não é como a do crash de outubro. Hoje, está todo mundo esperando para montar suas posições , diz o diretor financeiro do
Deutsche Bank, Alberto Gaidys.
Escaldados com a crise de outubro, quando o tombo foi grande porque a exposição ao risco também era, e de olho nas pesquisas eleitorais, os investidores brasileiros e estrangeiros têm evitado aumentar suas posições compradas.
A recente política do Banco Central de vender títulos públicos indexados reduziu a exposição do mercado ao risco da oscilação dos juros e, portanto, diminuiu a demanda por proteção. Apesar dessa reação fria, ninguém ignora a possibilidade de que o país mergulhe em nova crise provocada pelo efeito Japão . Devido ao tamanho da economia japonesa, uma recessão prolongada poderia provocar desaceleração da atividade econômica nos Estados Unidos e Europa, afetando as exportações brasileiras e os investimentos no país.
O risco hoje é de o governo do Japão ficar paralisado e o país entrar em depressão econômica, o que levaria a uma queda da atividade econômica mundial, disse o consultor e ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega.





