O efeito da turbulência no mercado asiático foi devastador sobre as bolsas brasileiras. A Bolsa de São Paulo fechou ontem em queda de 3,82%, após ter amargado uma baixa de mais de 4,77% durante o pregão. O Índice Bovespa fechou a sexta-feira a 9.319 pontos. Frente ao fechamento da última sexta-feira, a desvalorização acumulada do principal índice acionário brasileiro é de 12,96%.
O volume de negócios foi considerado fraco: R$ 569,66 milhões, a maior parte disso concentrado nas ações das telefônicas. ‘‘O mercado só não caiu mais porque não havia comprador’’, disse um operador. Outros pofissionais de mercado disseram que os investidores deverão passar o fim-de-semana acompanhando atentamente o comportamento dos mercados externos, especialmente no Oriente.
‘‘É possível que haja alguma notícia na noite do domingo’’, disse um profissional de um banco brasileiro bastante ativo nos negócios em bolsa. ‘‘Ninguém vai dormir cedo, todo mundo vai acompanhar o notíciário’’, disse. Outros mercados caíram na América Latina, como a Bolsa do México (-3,44%) e Buenos Aires (leia nesta página). Mesmo tendo subido 0,24% ontem, a Bolsa de Nova York caiu 3,21% na semana.
As turbulências de ontem começaram com os rumores de que a China poderá antecipar a desvalorização do yuan, inicialmente esperada pelo mercado para o fim do ano, e com a decepção dos analistas com o plano de recuperação da economia japonesa, anunciado em Tóquio pelo primeiro-ministro Keizo Obuchi. Como resultado, a moeda chinesa caiu no mercado paralelo. Nem a terceira intervenção da semana do Banco Popular da China, para segurar as cotações, foi suficiente para conter o efeito dominó e a sangria na maioria das bolsas e divisas asiáticas.
A instabilidade em torno do iene japonês e os temores de desvalorização das moedas locais da China e de Hong Kong têm obrigado a equipe econômica a adiar o projeto de iniciar um processo gradual de redução das desvalorizações do real. ‘‘Uma desvalorização destas moedas provocará uma valorização do real’’, lembrou uma qualificada fonte da área econômica do governo em entrevista à Agência Estado.

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