Rio de Janeiro - O efeito da desvalorização do dólar na rentabilidade das exportações brasileiras é visto com preocupação pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), revelou o presidente do banco, Luciano Coutinho. ''Do nosso ponto de vista, há uma preocupação com a apreciação da taxa de câmbio, que não só afeta setores manufaturados neste momento, mas até mesmo alguns setores competitivos, cujos preços internacionais não estão tão favoráveis'', admitiu.
O executivo, porém esquivou-se de especulações sobre novas medidas de apoio aos exportadores, com utilização de recursos do banco. Ressaltando que a União já produziu ''medidas no passado recente'' para auxiliar o setor exportador a passar pela crise, ele fez questão de ressaltar que decisões desse tipo cabem apenas ao Ministério da Fazenda.
No fim do ano passado, período de maior impacto da crise sobre o comércio internacional, o governo anunciou um reforço de R$ 5 bilhões na linha pré-embarque do BNDES, que financia produção de bens de capital destinados à exportação. A medida destinava-se a suprir a estiagem do crédito privado com o desaparecimento da oferta dos Adiantamentos de Contratos de Câmbio (ACCs). Em junho deste ano, uma nova medida de auxílio reduziu, até 31 de dezembro, as taxas de juros nos financiamento à aquisição de máquinas e equipamentos.
Em entrevista durante o 11º Congresso de Agribusiness, realizado ontem no Rio, Coutinho foi enfático ao comentar sobre a perda de impacto da crise global na economia brasileira: ''A crise já passou. Agora é investir'', disse. ''O objetivo agora é estimular a difusão do investimento, e outra vez torná-lo a principal força de liderança do crescimento brasileiro'', concluiu.
Também presente ao evento, o ex-ministro da Agricultura e coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Roberto Rodrigues defendeu uma estratégia ampla e abrangente do governo para ajudar os exportadores neste momento de apreciação do real.
Entre as medidas defendidas por Rodrigues para aliviar a pressão sobre as exportações estão: desoneração tributária; concessão de crédito mais barato para as empresas exportadoras; e compra de dólar pelo governo. ''Estas medidas são paliativas. Precisamos de uma estratégia ampla e abrangente, que não seja torcer para que o dólar tenha mais valor'', afirmou Rodrigues.
Coutinho anunciou hoje que os empréstimos do BNDES para a agropecuária podem encerrar este ano com volume superior a R$ 18 bilhões, acima do total de R$ 16 bilhões alocados para o setor no ano passado. Até outubro deste ano, os financiamentos para o setor agropecuário acumulam, em 12 meses, montante de R$ 16,9 bilhões.

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